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James Webb encontra pistas de que Tritão destruiu antigas luas de Netuno

Minerais encontrados em pequenas luas e nos anéis do planeta sugerem que o sistema que vemos hoje pode ter surgido dos destroços de mundos muito maiores.

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James Webb encontra pistas de que Tritão destruiu antigas luas de Netuno
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Netuno pode estar cercado pelos restos de uma catástrofe que aconteceu bilhões de anos atrás.

Novas observações feitas com o Telescópio Espacial James Webb encontraram uma composição inesperada em algumas das pequenas luas que orbitam o planeta.

E o mais intrigante é que esses materiais provavelmente não poderiam ter se formado nas luas onde foram encontrados.

Isso levou os pesquisadores a uma possibilidade muito mais dramática: as pequenas luas atuais podem ser apenas fragmentos remontados de um antigo sistema de mundos que foi destruído.

E existe um principal suspeito.

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A pista estava escondida em três pequenas luas

Pesquisadores analisaram com o James Webb as luas Larissa, Galatea e Proteus, além dos anéis internos de Netuno.

A ideia era descobrir do que esses objetos eram feitos.

Mas, ao analisar a luz refletida por eles, os cientistas encontraram algo inesperado.

Em Larissa, Galatea e nos anéis apareceram sinais de filossilicatos ricos em magnésio, uma classe de minerais semelhantes a argilas que se formam após uma interação prolongada entre rocha e água líquida.

É aí que começa o problema.

Essas pequenas luas são frias e pequenas demais para terem mantido no passado as condições necessárias para produzir esse tipo de material em seu interior.

Então... de onde essas argilas vieram?

A resposta pode estar dentro de mundos que já não existem

A hipótese apresentada pelos pesquisadores é que os minerais pertenciam originalmente ao interior de luas muito maiores.

Mundos gelados grandes o suficiente para gerar calor internamente, derreter parte de seu gelo e permitir que água líquida interagisse com rochas.

Essas antigas luas teriam orbitado Netuno há bilhões de anos.

Até que algo enorme entrou no sistema.

Seu nome é Tritão.

Hoje, Tritão é a maior lua de Netuno. Mas há fortes evidências de que ele não nasceu ao redor do planeta.

Os cientistas acreditam que Tritão surgiu no Cinturão de Kuiper, região distante do Sistema Solar onde também se encontra Plutão, e acabou sendo capturado pela gravidade de Netuno.

E essa captura pode ter provocado o caos.

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A chegada de Tritão teria mudado tudo

Imagine um sistema relativamente organizado de grandes luas orbitando Netuno.

Então um objeto com dimensões comparáveis às de Plutão entra no sistema e passa a orbitar o planeta.

A gravidade de Tritão teria perturbado violentamente as órbitas das luas que já estavam ali.

Elas começaram a interagir, mudar de trajetória e, eventualmente, colidir umas com as outras.

Grande parte do antigo sistema de satélites teria sido destruída.

Dos destroços, pequenas quantidades de material voltaram a se juntar.

Esses fragmentos poderiam ter formado justamente algumas das pequenas luas e anéis que vemos atualmente.

Isso explicaria por que minerais que deveriam estar profundamente enterrados no interior de grandes mundos aparecem hoje na superfície de objetos tão pequenos.

A colisão literalmente teria exposto o interior das antigas luas de Netuno.

Mas há outra pista ainda mais estranha.

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Tritão orbita Netuno na direção “errada”

A maior parte das grandes luas do Sistema Solar orbita seu planeta aproximadamente na mesma direção em que ele gira.

Tritão faz o contrário.

Ele possui uma órbita retrógrada.

Entre as grandes luas do Sistema Solar, essa característica é excepcional e é uma das principais evidências de que Tritão não se formou junto de Netuno: ele teria sido capturado posteriormente.

E Tritão não é apenas mais uma lua.

Segundo os pesquisadores, ele representa mais de 99% da massa de todo o sistema de satélites e anéis de Netuno.

Ou seja, praticamente tudo ao redor do planeta é dominado por esse intruso gigantesco.

Mas uma lua pode ter sobrevivido

Existe ainda uma peça curiosa nessa história.

Netuno possui uma lua chamada Nereida, conhecida por ter uma órbita extremamente excêntrica.

Outra pesquisa citada pelo Caltech sugere que ela pode ser um dos poucos — talvez o único — grandes sobreviventes intactos do antigo sistema de luas de Netuno.

Enquanto isso, Proteus também trouxe uma surpresa.

Os filossilicatos ricos em magnésio encontrados em Larissa, Galatea e nos anéis não apareceram da mesma maneira em Proteus.

Isso pode significar que Proteus se formou em uma região diferente dos destroços ou que passou por processos posteriores capazes de alterar sua composição.

Em outras palavras, mesmo depois da descoberta, o quebra-cabeça continua incompleto.

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Existe outra explicação possível

Os próprios pesquisadores deixam claro que o caso ainda não está encerrado.

Existe uma segunda possibilidade.

Em vez das antigas luas de Netuno terem sido destruídas pela captura de Tritão, um outro objeto do Cinturão de Kuiper — talvez aproximadamente do tamanho de Plutão — poderia ter passado perto demais de Netuno.

As forças gravitacionais do planeta teriam despedaçado esse objeto, espalhando material que posteriormente deu origem às luas e aos anéis.

A equipe considera a destruição das antigas luas a explicação mais provável, mas ainda não consegue excluir completamente essa alternativa.

E isso torna as próximas observações ainda mais interessantes.

James Webb pode estar revelando algo que normalmente seria impossível observar

O ponto mais importante da descoberta talvez nem sejam as colisões.

Normalmente, o interior de uma grande lua gelada fica escondido sob quilômetros de material.

Não existe uma maneira simples de observar diretamente essas camadas.

Mas se antigas luas realmente foram destruídas ao redor de Netuno, parte de seu interior foi espalhada pelo espaço e depois incorporada aos pequenos objetos que existem hoje.

Isso transformaria as luas internas de Netuno em uma espécie de janela para o interior de mundos que desapareceram bilhões de anos atrás.

E os pesquisadores ainda encontraram outro material hidratado nos três satélites analisados que não corresponde claramente a nada presente nas bibliotecas espectrais utilizadas pela equipe.

Ou seja: o James Webb encontrou pistas de uma antiga destruição — mas também encontrou algo que os cientistas ainda não sabem exatamente o que é.

A história de Netuno pode estar apenas começando a ser reconstruída.

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