Aos 53, ela trocou a aposentadoria por viagens e agora enfrenta uma verdade chocante sobre o futuro
Ela acumulou milhas aéreas em vez de dinheiro. O relato de uma mãe que priorizou experiências e agora luta para se aposentar.
Eram 3h32 da manhã, a hora mais sombria para se acordar. Ela estava com jet lag depois de voltar da Noruega. A mala no chão esperava para ser desfeita e refeita para a próxima viagem, em apenas duas semanas. No banco, apenas US$ 247 na conta corrente. Na poupança, ela nem queria pensar.
O sonho que virou um pesadelo financeiro
Aos 53 anos, mãe de quatro filhos adultos e escritora de viagens, ela se deu conta: sua vida tinha se tornado um tanto ridícula. "Não sou ridícula, eu sei. Mas acho que fiz uma escolha errada há alguns anos que, na época, pareceu a certa", reflete a jornalista em um relato sincero ao Business Insider.
Sempre quis viajar. Enquanto criava os quatro filhos sozinha, planejava roteiros imaginários nas noites de sexta-feira, em vez de sair para socializar. Amigas lhe davam os itinerários de suas viagens ao Egito, Portugal e Paris. Ela acompanhava tudo pelo café da manhã, pensando: "um dia".
Quando a liberdade chegou, ela fez a escolha errada
Naquela época, não podia viajar. Estava nos 30 anos, criando os filhos sozinha, trabalhando como padeira, garçonete, recepcionista — qualquer coisa para pagar as contas. Eles sobreviveram juntos, e os meninos cresceram.
Quando o caçula fez 18 anos, ela tinha 46. Poderia ter buscado a educação que perdeu ao se tornar mãe jovem, aos 21. Uma educação que poderia levar a um emprego com plano de aposentadoria e segurança. Em vez disso, ela escreveu. Escreveu para o jornal local, para revistas online, sobre maternidade. E, finalmente, viajou. Viagens pequenas e baratas, que ela transformava em artigos.
Milagrosamente, viajar se tornou seu trabalho.
O preço de uma vida de sonhos
Ser escritora de viagens foi um sonho. Ela fez um safári na África do Sul com o filho recém-casado, levou a nora para uma lua de mel própria, voou sozinha para Marrocos e Copenhague, foi a um retiro de bem-estar no México e se hospedou em um castelo no sul da França. "Deve ser bom", as pessoas dizem. E é.
Até ela olhar para o extrato bancário, abastecido com pequenos pagamentos que pingam por artigos escritos. Até ver o rosto mais velho no espelho e lembrar que um dia precisará se aposentar e não fez nada para se preparar. Ela acumulou milhas aéreas em vez de dinheiro. Priorizou experiências em vez de segurança. Não consegue nem pensar no legado que deixará para os filhos: cartões de embarque? Sacolas de brindes de viagens de imprensa?
A salvação (e a dura verdade) veio do filho
Ela não culpa a escrita de viagens pelo saldo da conta; culpa sua atitude de "tudo ou nada". Sabe que é possível viajar um pouco e ainda guardar dinheiro para a aposentadoria. Sabe disso porque seu filho de 26 anos a sentou com uma planilha para ajudá-la a começar a poupar.
Segundo os cálculos dele, ela poderá se aposentar por volta dos 75 anos e ainda viajar um pouco, se for inteligente. "Finalmente, talvez eu esteja pronta para ser inteligente com dinheiro. Estou cansada de me sentir ridícula", desabafa.
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