Bluesky dá um tiro certeiro no X: agora você pode ler artigos longos sem pagar nada
Rede social descentralizada integra Standard.site e libera acesso a textos além dos microblogs
Você já sentiu a frustração de querer ler um artigo longo no X, mas descobrir que só assinantes pagos podem acessar? Pois é, a Bluesky resolveu fazer exatamente o oposto. E de graça.
O fim dos posts de 280 caracteres (pelo menos por aqui)
Na última quinta-feira, a Bluesky lançou uma atualização que muda completamente o jogo. Agora, a plataforma se integrou ao Standard.site, um projeto comunitário que permite a criação de conteúdos longos no mesmo protocolo que alimenta a rede social: o AT Protocol.
Na prática, isso significa que você pode explorar artigos, blog posts e newsletters publicados em todo o ecossistema de apps baseados nesse protocolo, conhecido como “Atmosphere”. Estamos falando de sites como Leaflet, pckt e Offprint — todos voltados para escritores independentes que querem manter a posse do seu conteúdo e espalhá-lo pela web aberta.
Como funciona? É simples (e bonito)
Esses artigos aparecem inicialmente como cartões de link dinâmicos — uma prévia turbinada do conteúdo. A Bluesky avisa que isso é só o primeiro passo e que a funcionalidade será melhorada com o tempo. Mas já é um baita avanço.
Essa é a segunda vez que a Bluesky expande suas capacidades usando projetos criados pela própria comunidade. Em fevereiro, uma startup chamada Germ se tornou o primeiro serviço de mensagens privadas a funcionar diretamente do app da Bluesky, graças a uma integração parecida.
Ao construir a infraestrutura tecnológica lado a lado com seu aplicativo de rede social, a Bluesky consegue aproveitar todos os outros apps e serviços que também rodam no AT Protocol. E para os terceiros, não é um mau negócio: eles ganham acesso à distribuição proporcionada pela base de 44,5 milhões de usuários registrados da Bluesky.
WordPress já tinha aberto a porteira
Essa expansão para conteúdos longos acontece logo após o anúncio do WordPress, no início do mês, de seu próprio plugin que permite que qualquer site WordPress publique no Atmosphere. (O plugin se junta a outro que o WordPress já oferecia para publicar em serviços sociais abertos baseados no protocolo ActivityPub, como o Mastodon.)
Assim como a Bluesky, a integração do WordPress dependeu dos registros lexion do Standard.site. Isso basicamente significa que seu blog se torna dados dentro do próprio AT Protocol, em vez de ser apenas um link que você compartilha em um app como o Bluesky. Por causa disso, qualquer app compatível com o AT Protocol pode permitir que seus usuários leiam posts do WordPress.
A visão da Bluesky para a web social aberta
Com essa integração chegando agora à Bluesky, você consegue enxergar melhor a visão da startup para a web social: dados abertos e livremente distribuíveis, acessíveis de qualquer cliente, e onde os usuários podem migrar entre servidores de dados pessoais (PDS) à vontade. (Embora a Bluesky tenha sido o primeiro PDS, hoje já existem outros, como Eurosky, Blacksky e Northsky.)
Isso é completamente diferente da abordagem do X para conteúdo, seja ele longo ou curto. Lá, tudo fica preso dentro do app e só pode ser incorporado em outros lugares da web. A vantagem que o X oferece em termos de distribuição são seus 550 milhões de usuários ativos mensais — algo que a Bluesky talvez nunca consiga superar.
E não é só isso: a atualização (v1.122) também trouxe
- Um seletor de GIFs renovado
- Visualizador de fotos repaginado
- Rótulos de moderação expandidos no nível da conta
- Correção de um bug que estava descartando silenciosamente alguns uploads de vídeo no iOS
A mensagem da Bluesky é clara: enquanto o X cobra para você ler, ela prefere construir uma web onde o conteúdo é livre. A pergunta que fica é: você ainda precisa do X?
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