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Chefe de pagamentos da Índia aposta em IA para próxima fase de crescimento do UPI
Ciência e Tecnologia

Chefe de pagamentos da Índia aposta em IA para próxima fase de crescimento do UPI

Dilip Asbe, do NPCI, prevê que inteligência artificial impulsionará novos usuários, prevenção de fraudes e distribuição de crédito no sistema que já processa 750 milhões de transações diárias.

Redação
Redação
28 de junho de 2026

O sistema de pagamentos digitais da Índia, Unified Payment Interface (UPI), que já processa mais de 750 milhões de transações diárias, deve contar com a inteligência artificial (IA) para alcançar a meta de 1 bilhão de transações por dia. A afirmação é de Dilip Asbe, diretor executivo da National Payments Corporation of India (NPCI), órgão que gerencia o UPI.

Em entrevista ao TechCrunch durante a Mumbai Tech Week (MTW) 2026, realizada no mês passado, Asbe detalhou como a IA será fundamental na próxima fase de expansão do sistema. Segundo ele, a tecnologia será utilizada para atrair novos usuários, combater fraudes e ampliar o acesso ao crédito.

IA como motor de crescimento e segurança

“A IA será usada de forma muito eficaz quando olharmos para a próxima onda do UPI, e isso inclui todos os aspectos, desde alcançar novos usuários. Devemos usar a IA de forma eficaz para proteger nossos cidadãos atuais, para encontrar fraudes e identificar laranjas. A IA também deve ser usada para fornecer crédito a todos os usuários e comerciantes que têm pegada digital”, afirmou Asbe.

O executivo destacou que a IA também será crucial para desenvolver soluções de voz e multilíngues, simplificando o processo de cadastro de novos usuários. Embora o NPCI tenha lançado um sistema interativo baseado em assistente de voz em 2023, Asbe reconhece que a adoção ainda é baixa e que os modelos de voz precisam de maior precisão para se tornarem um componente crítico no ecossistema de pagamentos.

Modelos de linguagem e o ecossistema indiano

Asbe vê uma oportunidade para o ecossistema financeiro indiano criar modelos de linguagem pequenos (SLMs), especializados e determinísticos. “Acreditamos que os modelos se diferenciarão com base nos conjuntos de dados disponíveis para eles. Temos um conjunto de dados muito rico em nosso ecossistema. Acho que há uma grande oportunidade para empresas indianas — bancos, fintechs e o ecossistema — criarem modelos de linguagem pequenos, nítidos, específicos e tão determinísticos quanto possível”, disse.

No ano passado, o NPCI lançou o modelo FIMI para resolver disputas de usuários. Segundo Asbe, o sistema já atende mais de um milhão de usuários para cancelar mandatos e resolver problemas, e está escalando rapidamente.

Concorrência e regulação no mercado de UPI

O NPCI busca uma concorrência saudável entre os aplicativos UPI, mas dados indicam que o PhonePe (Walmart) e o Google Pay detêm mais de 80% do market share. O plano do regulador de limitar a participação de mercado de um único aplicativo em 30% está previsto para entrar em vigor em 31 de dezembro de 2026, a menos que o prazo seja adiado novamente.

Asbe argumentou que os aplicativos UPI têm custos de migração muito baixos e que a maioria dos recursos principais é compartilhada. Ele observou que PhonePe e Google investiram milhões para conquistar suas posições. “Acredito que há múltiplas razões para esse risco de concentração, e uma das razões importantes é a disponibilidade de um modelo comercial viável. No momento em que virmos o modelo comercial disponível para o ecossistema, acredito que novos players começarão a investir pesadamente”, afirmou.

Em 2024, o NPCI desmembrou seu aplicativo BHIM UPI para torná-lo mais competitivo. Embora seu volume de transações tenha crescido, sua participação de mercado é de cerca de 1%. Asbe disse que não há uma meta específica de market share para o BHIM, mas que o objetivo é oferecer uma alternativa soberana e segura aos demais aplicativos.

Regulação e futuro dos pagamentos com IA

Asbe defendeu que, com regulamentações robustas e uma estrutura adequada, a Índia pode adotar finanças baseadas em IA. Ele ressaltou a necessidade de proteção aos usuários e mitigação de riscos, garantindo que, em caso de erro, o sistema possa verificar as instruções e o consentimento dado pelo usuário a um agente.

A Índia é uma das maiores economias digitais do mundo, e investidores globais acompanham de perto o cenário regulatório para investir em novas soluções financeiras e tornar o mercado mais competitivo.

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