CPI do Crime Organizado pede quebra de sigilos de gestora ligada ao Banco Master
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CPI do Crime Organizado pede quebra de sigilos de gestora ligada ao Banco Master

Empresa saltou de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões em ativos em cinco anos, segundo investigação.

Redação
Redação

12 de fevereiro de 2026

O senador Fabiano Contarato (PT), presidente da CPI do Crime Organizado, solicitou nesta quinta-feira (12) a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da gestora de ativos Reag e de seu fundador, João Carlos Falbo Mansur. A empresa foi ligada ao Banco Master na Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de fraudes estimado em mais de R$ 12 bilhões.

O objetivo da medida é apurar o crescimento patrimonial atípico da Reag, que viu seus ativos saltarem de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões entre 2020 e 2025, e verificar se sua estrutura foi utilizada para lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação ocorre após a instituição sofrer uma interrupção forçada de suas atividades pelo Banco Central devido a irregularidades.

Alcance da investigação

Além da quebra de sigilos, a CPI pediu ao Banco Central acesso a todo o processo administrativo que resultou na punição da empresa, incluindo pareceres técnicos e notas internas. O requerimento foi enviado diretamente ao presidente do BC, Gabriel Galípolo.

Contarato também solicitou a convocação de João Carlos Mansur para prestar depoimento à comissão. O objetivo é que ele explique as razões técnicas que levaram ao fechamento da instituição e esclareça práticas operacionais e eventuais lacunas na governança.

Dados requisitados incluem redes sociais

O pedido da CPI envolve não apenas dados bancários e fiscais, mas também registros de ligações telefônicas e informações de plataformas como Instagram, Facebook, WhatsApp, Google, Telegram, Apple, Twitter e TikTok. Entre os dados requisitados estão mensagens, contatos, histórico de localização, fotos, vídeos e logs de acesso realizados entre 2020 e 2025.

Segundo a comissão, a extensão da investigação aos sigilos telefônico e telemático é necessária devido à complexidade do crime organizado, que utiliza tecnologias de criptografia e aplicativos de mensagens para gerir ativos.

Contexto das operações

Em agosto de 2025, a Reag foi alvo da Operação Carbono Oculto, que apurou um esquema de fraudes bilionárias no setor de combustíveis envolvendo integrantes do PCC. A Polícia Federal também aponta, na Operação Compliance Zero, que a gestora foi utilizada para o desvio de valores do Banco Master, com fundos usados para aumentar artificialmente o valor do banco e ocultar prejuízos.

“A CPI do Crime Organizado cumpre uma função constitucional de investigar e fiscalizar a atuação de organizações criminosas que se utilizam do sistema financeiro nacional. Não podemos nos omitir diante desse escândalo que continua nos surpreendendo e horrorizando pela gravidade dos fatos revelados”, afirmou o senador Contarato.

Próximos passos

A comissão pretende analisar se a Reag foi instrumento de engenharia financeira para atividades ilícitas e se as medidas de compliance internas foram eficazes. Contarato destacou que apenas o cruzamento de dados financeiros e de comunicações permitirá entender como estruturas formais do mercado de capitais podem ter sido utilizadas para lavagem de dinheiro.

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