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O homem mais rico do mundo, Elon Musk, sentou-se no banco das testemunhas nesta terça-feira e fez uma declaração que ecoou como um alerta para todo o setor filantrópico americano. Em um tom grave, ele afirmou que uma derrota em sua batalha judicial contra a OpenAI e Sam Altman não seria apenas uma perda pessoal, mas um “cheque em branco” para o saque de todas as instituições de caridade dos Estados Unidos.

“Isso se tornará um precedente. E dará licença para saquear todas as caridades da América”, disparou Musk para o júri de nove pessoas, enquanto Sam Altman observava do outro lado da sala no tribunal federal de Oakland, na Califórnia.

O estopim de uma guerra bilionária

No centro da ação judicial está uma acusação explosiva: Musk alega que foi “enganado” por Altman e outros executivos a doar impressionantes US$ 38 milhões para a OpenAI. A promessa, segundo ele, era clara: a empresa permaneceria uma organização sem fins lucrativos dedicada a desenvolver inteligência artificial para o benefício da humanidade, e não para o lucro privado. Mas o que aconteceu depois, na visão de Musk, foi uma traição em escala industrial.

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“Sem Elon Musk, não existiria OpenAI”, afirmou seu advogado, Steven Molo, em sua declaração de abertura. “E no processo, eles se enriqueceram e quebraram o próprio princípio sobre o qual a organização foi fundada.”

O outro lado da história: “Musk só se importa em estar no topo”

Mas a defesa de Altman não deixou por menos. O advogado William Savitt rebateu com força, afirmando que as evidências mostrarão que Musk nunca se importou com o caráter sem fins lucrativos da empresa. “A única coisa que importava para Musk era estar no topo”, disparou Savitt, sugerindo que o verdadeiro motivo da ação é a frustração de Musk por ter ficado para trás na corrida da inteligência artificial.

“Ele lançou a xAI e depois processou”, completou o advogado da Microsoft, Russell P. Cohen, referindo-se ao chatbot Grok, criado por Musk para competir com o ChatGPT.

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O homem por trás do mito: 100 horas por semana e zero férias

Durante seu depoimento, Musk pintou um retrato de si mesmo que contrasta com a imagem de bilionário excêntrico. Ele contou ao júri que trabalha de 80 a 100 horas por semana, não tira férias e não possui casas de veraneio. “Eu só quero construir negócios que melhorem a vida das pessoas”, disse ele, antes de relembrar os tempos de dificuldade, quando tinha US$ 100 mil em dívidas estudantis e trabalhava como lenhador e garçom no Canadá.

A audiência, que teve filas que se estendiam para fora do tribunal, também contou com um personagem inusitado: um cachorro na sala de audiência, perto da entrada, “mantendo todos seguros”.

O que está em jogo?

Musk não está pedindo pouco. Ele exige até US$ 134 bilhões em danos e, em um movimento ainda mais radical, quer a cabeça de Sam Altman, pedindo que ele perca o cargo. O juiz deverá decidir as reparações em uma fase separada do julgamento, caso a OpenAI seja considerada culpada.

Enquanto os dois titãs da tecnologia se enfrentam, uma coisa é certa: o resultado deste julgamento pode redefinir não apenas o futuro da inteligência artificial, mas também os limites da filantropia corporativa nos Estados Unidos.