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Você já imaginou gastar mais da metade do dinheiro que tem no bolso em um único ano? Pois é exatamente isso que Elon Musk está fazendo com a Tesla. Em uma jogada que mistura ambição descomunal e um risco financeiro de tirar o sono, a montadora anunciou um plano de investimentos que vai ultrapassar os US$ 25 bilhões só em 2025.

Para ter ideia do tamanho da aposta, esse valor é quase o triplo dos US$ 8,5 bilhões gastos no ano passado. E mais: é superior aos US$ 20 bilhões que a própria empresa havia prometido aos investidores em janeiro. O que está por trás dessa queima de caixa? A resposta é simples e ao mesmo tempo assustadora: a transformação da Tesla em uma gigante de inteligência artificial e robótica.

Onde todo esse dinheiro vai parar?

O plano de Musk não é para amadores. O dinheiro será usado para construir seis novas fábricas, segundo executivos da Tesla. Entre os projetos mais audaciosos estão as linhas de produção do Cybercab no Texas, a infraestrutura de IA para sustentar o serviço de robotáxi e a adaptação de uma fábrica na Califórnia para montar o robô Optimus.

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Mas a cereja do bolo é um projeto que parece saído de um filme de ficção científica: um fab de semicondutores de US$ 3 bilhões em Austin, a primeira etapa do ambicioso Terafab. Musk revelou que o objetivo é produzir cerca de 1 Terawatt de capacidade computacional anual — isso é 50 vezes toda a oferta global atual. E os custos? Analistas do Bernstein estimam que atingir essa meta pode custar nada menos que US$ 13 trilhões.

O risco que ninguém está vendo

Apesar do discurso empolgado, os números do primeiro trimestre mostram uma realidade mais cautelosa. A Tesla gastou apenas US$ 2,5 bilhões do seu orçamento colossal, o que ajudou a empresa a registrar um surpreendente fluxo de caixa positivo de US$ 1,4 bilhão. Mas isso é um sinal de alerta: os próximos meses serão de uma aceleração brutal nos gastos.

O CFO da Tesla, Vaibhav Taneja, já avisou: a empresa espera fluxo de caixa negativo pelo resto do ano. E para quem sonha com retornos rápidos, Musk foi direto: a receita "material" com robotáxis ou produtos de direção autônoma não deve aparecer antes do ano que vem.

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Mesmo assim, o bilionário não hesita em comparar sua estratégia com a de gigantes como Google e Meta, que também estão queimando dinheiro em infraestrutura de IA. "Acho que vai valer muito a pena", disse Musk durante a teleconferência de resultados. As ações da Tesla caíram mais de 3% após o anúncio, mas analistas como Dan Ives, da Wedbush, defendem o movimento: "A Tesla está se transformando em um pilar da IA física. O caminho está aqui e exige mais investimento."

Enquanto isso, a SpaceX — que deve abrir capital ainda este ano com uma avaliação de até US$ 2 trilhões — ficará responsável pela fase inicial de escalonamento do Terafab. A pergunta que fica é: será que Musk está construindo o futuro ou cavando um buraco financeiro sem fundo? O tempo, como sempre, dirá.