Você lembra da promessa do metaverso? Aquele universo virtual onde a Meta (ex-Facebook) apostou tudo, mudou até o nome da empresa e prometeu revolucionar a forma como trabalhamos e nos divertimos? Pois é. O cenário mudou drasticamente, e um dos principais arquitetos dessa visão simplesmente sumiu.
O sumiço que ninguém percebeu
Gabriel Aul, o executivo que comandava os produtos do metaverso dentro da Reality Labs (a divisão de realidade virtual da Meta), pediu demissão em fevereiro — e só agora o caso veio à tona. Ele ficou apenas alguns meses no cargo, desde outubro do ano passado.
O anúncio foi feito internamente pelo próprio CTO da Meta, Andrew Bosworth, em um memorando obtido pelo Business Insider. O tom? De quem já estava esperando a saída: "Mesmo que ainda tenhamos o Gabe por mais alguns meses, por favor, juntem-se a mim para desejar a ele tudo de melhor em sua merecida aposentadoria."
Quem assumiu o comando (e o que isso revela)
No lugar de Aul, entrou Saxs Persson, um ex-executivo da Epic Games (criadora do Fortnite) que chegou na mesma reestruturação de outubro. Mas o detalhe mais curioso? O memorando diz que Persson vai "assumir totalmente" como chefe do Horizon — o mundo virtual da Meta — e não faz mais nenhuma menção à unidade de metaverso que Aul liderava.
Ou seja: a divisão que antes era o centro dos sonhos de Mark Zuckerberg simplesmente deixou de existir como um cargo de destaque.
O êxodo dos líderes do "mundo novo"
Aul não foi o único. O executivo anterior do metaverso, Vishal Shah, também saiu em outubro — mas foi promovido para a área de superinteligência artificial da Meta. Percebeu o padrão? Enquanto os chefes do metaverso vazam, a inteligência artificial suga os talentos.
Bilhões no metaverso vs. realidade dos cortes
Os números são brutais. A Meta já gastou dezenas de bilhões de dólares no metaverso, mas os resultados são pífios. Em março, a empresa realizou demissões em massa justamente na Reality Labs. E mais: encerrou o suporte ao Horizon Worlds (o carro-chefe do metaverso) nos seus próprios óculos de realidade virtual — e depois voltou atrás na decisão, num vai-e-vem digno de novela corporativa.
Enquanto isso, o dinheiro está voando para a IA. A Meta dobrou seus gastos de capital para até US$ 145 bilhões este ano, focados em inteligência artificial.
O que isso significa para você?
A Meta não desistiu oficialmente do metaverso. O CTO Bosworth insiste que o conceito vai além do Horizon Worlds — seria a "próxima plataforma de computação", misturando mundos digitais e físicos. Mas a realidade é que, por enquanto, a empresa está colocando o dinheiro onde a boca está: na IA.
O sonho do metaverso pode não estar morto, mas o êxodo silencioso de seus líderes mais importantes mostra que, dentro da Meta, a aposta já mudou. E você, ainda está esperando pelos óculos de realidade virtual ou já está testando o ChatGPT?
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