Você já voltou de uma viagem para a Europa carregando protetores solares na mala como se fossem tesouros? Se sim, você não está sozinho. Milhares de americanos fazem isso há anos — e com um motivo de peso: os protetores vendidos nos Estados Unidos são, simplesmente, inferiores.
O atraso de um quarto de século
Enquanto países como Reino Unido, Coreia do Sul, Japão e Austrália inovavam, os EUA ficaram parados no tempo. O FDA (órgão regulador americano) trata protetores solares como medicamentos sem prescrição — o que significa que cada ingrediente precisa passar por um processo de aprovação lento e burocrático. O resultado? Nenhum novo filtro UV foi aprovado desde 1999.
Isso está prestes a mudar. O FDA acaba de aprovar o bemotrizinol (BEMT), um ingrediente químico usado na Europa e na Ásia há mais de 20 anos. Mas prepare-se: você vai ter que esperar pelo menos mais 18 meses para ver o produto nas prateleiras.
O problema não é o FPS — é o que você não vê
Você confia no número estampado no frasco? Pode estar sendo enganado. Segundo a dermatologista Dra. Ellen Gendler, de Nova York, os protetores americanos são "muito bons" em bloquear os raios UVB — aqueles que causam queimaduras. O problema são os raios UVA, que penetram mais profundamente na pele.
"Tenho pacientes que usam Neutrogena FPS 70 e ainda assim se bronzeiam", revela Gendler. "Isso acontece porque eles não estão bem protegidos contra os UVA." E aí está o perigo: os raios UVA são conhecidos por causar câncer de pele.
Nos EUA, há apenas um ingrediente aprovado para bloquear UVA: o Avobenzone. E ele tem um problema grave: "não é muito estável", explica a dermatologista, precisando de outros componentes para funcionar direito.
A diferença está na regulamentação
Enquanto os EUA tratam protetores como remédios, outros países os classificam como cosméticos. Isso permitiu uma inovação muito mais rápida. O resultado? Protetores que não só protegem melhor, mas também não deixam aquela meleca branca no rosto e são menos gordurosos.
Gendler recomenda que seus pacientes combinem protetores químicos e minerais com óxido de zinco para melhorar a proteção. Mas ela admite: "Isso ainda não oferece a mesma proteção de amplo espectro que os produtos europeus."
O favorito dos dermatologistas (e por que você não encontra nos EUA)
A La Roche Posay tem um protetor que é considerado um dos melhores do mundo: o Anthelios UVMune 400 FPS 50, que usa o Mexoryl 400 — uma versão avançada de um ingrediente que está entre os melhores bloqueadores de UVA desde 2005. Nos EUA, a mesma marca só conseguiu aprovação para versões limitadas do Mexoryl, e apenas em um hidratante FPS 15.
Ou seja: o mesmo frasco vendido na Europa e nos Estados Unidos tem fórmulas completamente diferentes.
O que muda com o bemotrizinol?
Além de oferecer proteção superior contra UVA e UVB, o novo ingrediente promete uma aplicação mais suave e sem manchas. A empresa DSM Nutritional Products, que obteve a aprovação do FDA em 2024, terá direitos exclusivos para vender sua formulação de BEMT nos EUA por 18 meses. Depois disso, outras marcas poderão seguir o mesmo caminho.
Enquanto isso não acontece, a dica da especialista é clara: "Se seus amigos forem para a Europa, em vez de trazerem um cachecol, peça para trazerem protetor solar."
Prepare-se: a revolução solar americana está chegando. Mas, por enquanto, você ainda vai ter que contar com a ajuda de quem viaja para o exterior.
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