O verdadeiro motivo por trás da prisão de Deolane Bezerra: ela era o "caixa" do PCC, diz polícia
Investigação de 7 anos revela que a influenciadora e advogada ocultava milhões para a facção criminosa.
Você já imaginou usar sua imagem pública para esconder um dos maiores esquemas de lavagem de dinheiro do crime organizado? Pois é exatamente isso que a polícia paulista descobriu sobre Deolane Bezerra.
Na manhã desta quinta-feira (21), a influenciadora e advogada foi presa na Operação Vérnix. O motivo? Segundo um relatório bombástico da Polícia Civil de São Paulo e do Ministério Público, ela não era apenas uma figura ligada ao PCC. Ela era peça-chave na engrenagem financeira da facção. O documento a descreve como um "verdadeiro caixa" do Primeiro Comando da Capital.
O que a investigação de 7 anos finalmente revelou
Tudo começou há sete anos, quando bilhetes e manuscritos foram apreendidos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Dentre os trechos, um chamou a atenção: a menção a uma "mulher da transportadora" que levantava endereços de agentes públicos para subsidiar ataques.
Essa pista levou a Polícia Civil a uma empresa de transporte sediada em Presidente Venceslau. O que parecia um negócio legítimo era, na verdade, um braço financeiro do PCC, usado para lavar dinheiro. E foi aí que o nome de Deolane Bezerra apareceu.
Conversas extraídas de um celular apreendido mostraram estreitos vínculos pessoais e negociais entre a influenciadora e um dos gestores fantasmas daquela transportadora. Para os investigadores, a projeção pública de Deolane era uma camada de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.
"Atuação pública e midiática favorecia a legalidade"
O relatório policial acolhido pelo Ministério Público não deixa dúvidas. Nele, os investigadores afirmam que Deolane funcionava como um "verdadeiro caixa" do PCC, ocultando recursos e permitindo sua circulação com aparência de legalidade. A conclusão é direta: a atuação pública e midiática da influenciadora transparecia "ares de legalidade" ao esquema criminoso.
Com base no conjunto de provas, a Justiça decretou 6 prisões preventivas. Além de Deolane, outros alvos tiveram bloqueios de valores superiores a R$ 327 milhões, sequestro de 17 veículos — incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões — e 4 imóveis vinculados aos investigados.
Três investigados que estariam fora do país — na Itália, na Espanha e na Bolívia — já foram incluídos na lista vermelha da Interpol.
O que esperar daqui para frente
Deolane foi levada à sede da Polícia Civil e depois transferida para a Penitenciária de Santana, na zona norte da capital paulista. Ela aguarda a audiência de custódia, prevista para esta sexta-feira (22).
O iG tentou contato com a advogada de defesa, sua irmã Daniele Bezerra, mas, até o momento, não obteve retorno. O caso, no entanto, já expõe uma das maiores conexões entre o mundo das influenciadoras digitais e o crime organizado no Brasil. E a pergunta que fica é: quantos outros "caixas" ainda estão sendo descobertos?
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