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Uma viajante experiente em trens noturnos da Amtrak completou, em fevereiro de 2026, a rota integral do California Zephyr, a viagem ferroviária contínua mais longa dos Estados Unidos. A jornada de 53 horas partiu de Chicago, em Illinois, com destino a Emeryville, na Califórnia, e foi realizada em um quarto privativo do tipo "bedroom", com banheiro interno, adquirido por US$ 2.200.

A viajante, que já havia percorrido um trecho de 15 horas da mesma linha em janeiro de 2025, desta vez embarcou para vivenciar a experiência completa. A aventura foi marcada por descobertas inesperadas sobre o conforto a bordo, a logística das refeições e o entretenimento durante a longa travessia.

Começo da jornada em estação que remete à Europa

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O ponto de partida, a Union Station de Chicago, foi a primeira surpresa. Comparando-a à moderna Moynihan Train Hall de Nova York, a viajante descreveu a sensação de ter sido "transportada para a Europa" ao adentrar o saguão principal, impressionando-se com as colunas altas, pisos de mármore e molduras intrincadas que lembraram estações de Roma e Milão.

Como passageira de um quarto privativo, ela teve acesso ao Amtrak Metropolitan Lounge dentro da estação, um dos benefícios da tarifa. Foi neste lounge que ocorreu outra novidade: um atendente fez sua reserva para o jantar antes mesmo do embarque, um procedimento diferente de suas viagens anteriores, onde o agendamento era feito a bordo.

Confortos e a redescoberta do beliche superior

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A bordo, o quarto "bedroom" oferecia um banheiro privativo completo, descrito como similar ao de um hotel, com toalhas organizadas e frascos de tamanho normal de shampoo, condicionador e sabonete. A água do chuveiro, localizado a centímetros do vaso sanitário, atingia temperaturas elevadas.

Uma das revelações mais significativas da viagem foi a reavaliação do beliche superior. Em sua primeira viagem noturna de trem, em 2021, a viajante passou uma noite inquieta no compartimento de cima, incomodada pelo balanço dos trilhos. Cinco anos e várias viagens depois, ela decidiu testar novamente, passando uma noite em cada beliche para comparar.

"Para minha surpresa, acabei preferindo o beliche de cima", relatou. Ela afirmou ter se acostumado com o movimento, que agora a embala para dormir, e valorizou a possibilidade de ter tanto uma cama quanto um sofá no quarto enquanto ocupava a parte superior, já que o sofá se transforma no beliche inferior.

Estratégias contra o tédio na longa travessia

Para enfrentar as mais de 50 horas de viagem, a passageira organizou meticulosamente seu tempo e levou uma série de atividades. Ela leu, jogou videogame ouvindo podcasts, observou a paisagem pela janela, tirou centenas de fotos, escreveu em um diário, trabalhou no laptop e assistiu a séries baixadas no celular. Apesar de ter levado um ukulele – que classificou como um "erro" a ser evitado no futuro –, conseguiu se manter entretida durante todo o percurso.

Socialmente, a viagem também trouxe uma surpresa. Esperando encontrar outros viajantes veteranos de trens noturnos para trocar histórias, ela conversou com cerca de uma dúzia de passageiros. No entanto, apenas um já havia viajado em trens noturnos da Amtrak antes. A interação com iniciantes, contudo, foi igualmente gratificante, permitindo que ela compartilhasse dicas e refletisse sobre sua própria evolução como viajante ferroviária.

A viagem do California Zephyr, operado pela Amtrak, conecta o Centro-Oeste à Costa Oeste dos EUA, atravessando paisagens emblemáticas como as Montanhas Rochosas e as formações rochosas vermelhas de Utah. A rota completa é procurada por entusiastas de ferrovias e viajantes em busca de uma experiência turística diferenciada, com diferentes níveis de acomodação, desde assentos comuns até suítes privativas.