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A Whoop, empresa de wearables fundada por Will Ahmed em 2012, está em uma transição estratégica: de ferramenta de performance para atletas de elite a dispositivo de monitoramento de saúde preventivo. A empresa, que já conta com usuários como LeBron James e Cristiano Ronaldo, lançou funcionalidades clinicamente validadas, incluindo monitoramento de ECG e detecção de fibrilação atrial, uma arritmia cardíaca que pode levar a um AVC.

Com sede em Boston e operando em mais de 200 países, a Whoop registrou crescimento de receita superior a 100% no ano passado e atingiu fluxo de caixa positivo. Seu modelo de assinatura, que custa entre US$ 200 e US$ 360 anuais incluindo o hardware, apresenta alta retenção: 83% dos usuários ativos mensais abrem o aplicativo diariamente.

Parceria com laboratórios e foco em mulheres

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A empresa firmou uma parceria com a rede de laboratórios Quest Diagnostics, que possui mais de 2.000 unidades nos EUA, permitindo que membros realizem exames de sangue e integrem os biomarcadores diretamente no app da Whoop para análise clínica. Uma funcionalidade chamada Health Span, que calcula a idade biológica do usuário, tornou-se a mais popular desde seu lançamento em maio de 2023.

Tanto a Whoop quanto sua principal concorrente, a finlandesa Oura (fabricante de um anel inteligente), afirmam que as mulheres são seu segmento de crescimento mais rápido. Ambas anunciaram parcerias para exames de sangue no intervalo de um dia no ano passado.

Disputa regulatória e filosofia do produto

A expansão para o campo médico trouxe desafios regulatórios. No verão passado, o FDA (Agência de Alimentos e Medicamentos dos EUA) emitiu uma carta de advertência questionando os "insights" de pressão arterial da Whoop, argumentando que constituíam diagnóstico médico. A empresa contestou, alegando que a FDA estava "ultrapassando sua autoridade", e manteve o desenvolvimento do recurso.

O dispositivo da Whoop se diferencia por não ter tela, notificações ou contador de passos. "Se você tem uma tela, então você é um relógio. E se você é um relógio, então está competindo com muitos outros relógios", explicou Will Ahmed, de 36 anos, em entrevista à TechCrunch. A estratégia permite que o sensor seja usado discretamente no pulso, bícepe ou torso, inclusive dentro de roupas esportivas da própria marca, cuja linha cresceu 70% no último ano.

Crescimento e futuro no mercado

A Whoop, que hoje emprega cerca de 750 pessoas e está em processo de contratar mais 600, mantém uma base de usuários que ainda inclui mais homens do que mulheres, refletindo suas origens no esporte. No entanto, Ahmed afirma que o negócio agora está dividido de forma equilibrada entre os EUA e o resto do mundo.

A empresa tem uma política de não oferecer participação acionária a atletas em troca do uso do produto, confiando no valor orgânico que ele oferece. Recentemente, a empresa viu sua visibilidade aumentar quando tenistas como Carlos Alcaraz e Jannik Sinner se recusaram a remover suas pulseiras Whoop durante o Aberto da Austrália, apesar de uma determinação contrária da organização do torneio.

Enquanto a Oura, fundada um ano após a Whoop, é amplamente relatada estar explorando um IPO, Ahmed mantém o foco no crescimento orgânico. "Se nos concentrarmos em construir uma ótima tecnologia e expandir nosso negócio, ficaremos felizes com a Whoop quando formos uma empresa pública, independentemente de quem abrir o capital primeiro", declarou o fundador.