Antes de pagar por um celular usado, confira o IMEI do aparelho que está nas suas mãos e consulte sua situação nos canais oficiais. O Programa Nacional Celular Seguro, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, oferece acesso ao Banco Nacional de Celulares com Restrição, o BNCR, que reúne informações das 27 unidades da Federação.

A consulta é uma etapa de verificação, não um laudo completo sobre a compra. Um telefone pode exigir outras checagens de conta, funcionamento e documentação. A orientação deste guia é separar esses pontos antes do pagamento, em vez de confiar apenas na foto do anúncio.

1. Confira o IMEI diretamente no aparelho

Com autorização do vendedor, abra o discador e digite *#06#. O código de identificação também pode estar na embalagem. A Anatel explica onde encontrar o IMEI e a importância de verificar cada código.

Se aparecerem dois IMEIs, anote ambos. Aparelhos que utilizam mais de um chip possuem identificadores que devem ser consultados individualmente. Conferir apenas o primeiro deixa uma parte da verificação pendente.

Não confunda IMEI com o número de telefone. Trocar o chip não significa trocar o identificador do equipamento. Para uma conferência presencial, use os códigos exibidos pelo próprio aparelho, e não apenas uma captura de tela enviada antes do encontro.

2. Faça a consulta gratuita no Celular Seguro

As dúvidas frequentes do Ministério da Justiça orientam a consulta pelo aplicativo ou portal. O caminho básico é:

  1. Acesse o endereço oficial celularseguro.mj.gov.br.
  2. Entre com sua conta gov.br, sem entregar a senha ao vendedor.
  3. Procure a função “Celulares com Restrição”.
  4. Informe o IMEI e confira o resultado.
  5. Repita o procedimento para os demais IMEIs do aparelho.

Essa consulta é diferente de emitir um alerta de roubo, furto ou extravio. Você não deve registrar uma ocorrência fictícia para testar um telefone que pretende comprar.

Se houver restrição, não conclua a compra. O Ministério da Justiça orienta procurar a Polícia Civil quando necessário. Se o serviço estiver indisponível, não considere a falta de resultado uma aprovação: aguarde e tente novamente pelo canal oficial.

3. Separe restrição de IMEI de procedência comprovada

A finalidade do BNCR é permitir a consulta de registros de restrição. Isso não transforma a resposta em uma avaliação de bateria, peças, garantia ou condições de venda. Nossa recomendação editorial é tratar o resultado como uma peça da verificação, não como autorização automática para pagar.

Peça informações sobre a origem do aparelho e os documentos disponíveis. Se houver caixa, compare seus dados com o telefone. Se algo não combinar, solicite esclarecimento antes de decidir. Uma embalagem isolada não deve substituir a conferência do equipamento.

O fascículo de segurança sobre celulares e tablets do CERT.br também aborda cuidados com a compra de aparelhos usados. O objetivo é evitar que o preço atraente encerre a conversa antes das verificações essenciais.

4. No iPhone, verifique o Bloqueio de Ativação

Uma consulta de IMEI não é a mesma coisa que verificar uma conta Apple vinculada. A Apple orienta não comprar um iPhone com o Bloqueio de Ativação ativo.

Se aparecer a mensagem “iPhone Bloqueado pelo Proprietário”, o vendedor precisa resolver a vinculação. Não aceite a promessa de que o bloqueio será removido depois do pagamento. A tela de boas-vindas, por si só, também não conclui o teste: segundo a fabricante, o aparelho apagado precisa ser configurado e ativado para permitir a inspeção.

Essas instruções são específicas para iPhone. Não aplique nomes de menus da Apple a telefones Android. Em outro modelo, confira as orientações da fabricante sobre transferência e configuração do aparelho usado.

5. Teste o funcionamento antes de encerrar a compra

No iPhone, a Apple recomenda verificar condição física, bateria, botões, câmera, alto-falantes, microfone e tela. Faça os testes com o vendedor presente, sem abrir arquivos pessoais dele. Outros modelos exigem uma conferência compatível com seus recursos.

Um roteiro prático é ligar o aparelho, observar a tela e o conector, testar câmera e áudio e verificar o carregamento. Problemas encontrados nessa etapa precisam entrar na decisão; um IMEI sem restrição não informa quanto custará um reparo.

Checklist final para não esquecer

  • IMEIs conferidos no aparelho e consultados separadamente.
  • Resultado obtido no serviço oficial, sem fornecer a senha gov.br a terceiros.
  • Origem e documentos disponíveis verificados, com divergências esclarecidas.
  • Conta do antigo proprietário e ativação resolvidas quando aplicável.
  • Funcionamento inspecionado antes do pagamento.

Se uma dessas etapas ficar pendente, a recomendação é adiar a decisão. Depois da compra, cuide também do acesso às suas contas: veja nosso checklist para usar Wi-Fi público com mais segurança. A verificação do aparelho e a proteção dos dados são cuidados diferentes, mas complementares.