A empresa de inteligência artificial Anthropic lançou uma série de quatro comerciais para o Super Bowl nesta quarta-feira que satirizam a futura inserção de anúncios no ChatGPT, principal concorrente de seu chatbot Claude. Os vÃdeos, que mostram assistentes virtuais distorcendo conversas para inserir propagandas inapropriadas, geraram reação imediata do CEO da OpenAI, Sam Altman, que classificou a campanha como "desonesta" e acusou a rival de ser "autoritária".
Em um post extenso na rede social X, Altman defendeu o modelo de anúncios que sua empresa planeja implementar, afirmando que os comerciais da Anthropic criam uma representação falsa. "Nunca exibirÃamos anúncios da maneira como a Anthropic os retrata", escreveu o executivo. "Não somos estúpidos e sabemos que nossos usuários rejeitariam isso." A OpenAI anunciou recentemente que testará anúncios na camada gratuita do ChatGPT, posicionados de forma separada e identificada, com base no contexto da conversa do usuário.
O tom da campanha e a reação
Um dos comerciais da Anthropic começa com a palavra "TRAIÇÃO" em letras grandes e mostra um homem pedindo conselhos a um chatbot, representado por uma mulher loira. Após dar dicas genéricas, a assistente começa a promover um site fictÃcio de encontros para pessoas mais velhas, o "Golden Encounters". A mensagem final do anúncio afirma que, enquanto anúncios chegam à IA, eles não chegarão ao Claude. Outro comercial satiriza a veiculação de anúncios de palmilhas para aumentar a estatura durante uma conversa sobre exercÃcios fÃsicos.
A resposta de Sam Altman foi além da defesa do modelo de negócios. Ele afirmou que "a Anthropic serve um produto caro para pessoas ricas", contrastando com a missão da OpenAI de "levar IA para bilhões de pessoas que não podem pagar por assinaturas". No entanto, ambas as empresas oferecem tiers gratuitos: o Claude tem planos a US$ 0, US$ 17, US$ 100 e US$ 200, enquanto o ChatGPT oferece opções a US$ 0, US$ 8, US$ 20 e US$ 200.
Acusações de autoritarismo e disputa por narrativa
O ponto mais contundente da réplica de Altman foi a acusação de que a Anthropic busca controlar o uso da inteligência artificial. "A Anthropic quer controlar o que as pessoas fazem com a IA", escreveu ele, alegando que a empresa bloqueia o uso do Claude Code para "empresas de que não gostam", como a própria OpenAI. Ele culminou chamando a rival de "autoritária". "Uma empresa autoritária não nos levará até lá sozinha, para não mencionar os outros riscos óbvios. É um caminho sombrio", completou.
Fundada por ex-funcionários da OpenAI preocupados com a segurança da IA, a Anthropic construiu sua marca em torno do conceito de "IA responsável". A empresa possui polÃticas de uso que, por exemplo, proÃbem a geração de conteúdo erótico – algo permitido pela OpenAI, que também impõe suas próprias restrições, especialmente em temas como saúde mental.
Contexto e próximos passos
A troca pública ocorre em um momento de intensa competição no mercado de chatbots de IA generativa, onde o ChatGPT mantém uma liderança significativa em número de usuários. A decisão da OpenAI de introduzir anúncios visa subsidiar o acesso gratuito para milhões de pessoas. A empresa detalhou em seu blog que os anúncios serão testados "na parte inferior das respostas no ChatGPT quando houver um produto ou serviço patrocinado relevante com base na sua conversa atual".
Analistas de mercado veem a campanha da Anthropic como uma jogada agressiva de marketing para capitalizar a ansiedade dos usuantes sobre anúncios, posicionando o Claude como uma alternativa mais "pura". A reação visceral de Altman sugere que os comerciais atingiram um ponto sensÃvel na disputa pela narrativa sobre o futuro ético e comercial da inteligência artificial.