A Apple forneceu às autoridades federais dos Estados Unidos as identidades reais de pelo menos dois clientes que usavam o recurso "Ocultar Meu Email", projetado para mascarar endereços de e-mail em aplicativos e sites. A informação consta em documentos judiciais obtidos pelo site de tecnologia TechCrunch.
O "Ocultar Meu Email" é um recurso pago do serviço iCloud+ que permite aos usuários gerar endereços de e-mail anônimos, que encaminham mensagens para uma conta pessoal privada. A Apple afirma não ler as mensagens encaminhadas, mas os documentos mostram que o recurso não impede que a aplicação da lei descubra quem é o dono de um endereço iCloud anônimo.
Dois casos revelados em mandados
Em um dos casos, o FBI (Departamento Federal de Investigação) solicitou registros da Apple no início de janeiro de 2026 como parte de uma investigação sobre um e-mail supostamente ameaçador enviado a Alexis Wilkins, namorada do diretor do FBI Kash Patel. Em resposta, a Apple forneceu o nome completo e o endereço de e-mail real do titular da conta associada ao endereço anônimo, além de registros de 134 contas de e-mail anonimizadas criadas com o "Ocultar Meu Email".
Em um segundo mandado de busca, a Apple entregou informações sobre outro cliente a pedido de agentes federais da HSI (Homeland Security Investigations), uma unidade da ICE (Imigração e Controle Alfandegário). A solicitação fazia parte de uma investigação sobre um suposto esquema de fraude de identidade. Um agente da HSI citou, em janeiro de 2026, "registros recebidos da Apple" que mostravam que o suspeito havia criado vários endereços de e-mail anonimizados através do recurso em múltiplas contas da Apple.
Limites da privacidade e criptografia
A Apple promove grande parte de seu serviço iCloud como criptografado de ponta a ponta, o que significa que apenas os clientes podem acessar seus próprios dados. No entanto, nem todas as informações do cliente estão fora do alcance da aplicação da lei.
Dados como nomes, endereços residenciais, informações de cobrança e e-mails não criptografados são armazenados pela Apple e podem ser acessados por meio de solicitações legais. A capacidade da aplicação da lei de acessar essas informações também ressalta as limitações de privacidade dos e-mails em geral, já que a vasta maioria das mensagens enviadas ainda hoje não é criptografada.
Contexto e reação do mercado
Esse cenário tem impulsionado a popularidade de aplicativos de mensagens com criptografia de ponta a ponta, como o Signal, em um esforço para proteger dados privados tanto da vigilância quanto de hackers mal-intencionados. A Apple não respondeu a um pedido de comentário da TechCrunch sobre os casos.
Os documentos judiciais foram inicialmente relatados pelo site 404 Media e fazem parte do projeto Court Watch. As investigações que levaram aos mandados continuam em andamento.