Entrar
Ataque dos EUA à Venezuela altera padrão de intervenção na América Latina
Mundo

Ataque dos EUA à Venezuela altera padrão de intervenção na América Latina

Ação direta de Trump contra Maduro inaugura nova fase nas relações regionais e preocupa governos progressistas.

Redação
Redação

3 de janeiro de 2026 ·
Publicidade

Os Estados Unidos realizaram um ataque militar direto à Venezuela na madrugada deste sábado (3), prendendo o presidente Nicolás Maduro e sua esposa. A ação, anunciada pelo presidente Donald Trump nas redes sociais, rompe com a tradição histórica norte-americana de interferir em países latino-americanos por meio de instabilidade interna e financiamento de grupos locais, sem o envolvimento direto de tropas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condenou o ataque, classificando-o como inaceitável, em linha com a tradição brasileira de defesa da soberania e mediação de conflitos. A reação, no entanto, ocorre em um momento delicado de negociações para restabelecer as relações comerciais bilaterais, após o fim das tarifas impostas por Trump às exportações brasileiras.

Nova estratégia e justificativa

Publicidade

A justificativa apresentada por Trump para a intervenção foi o combate ao narcotráfico, e não a promoção da democracia, argumento usado em intervenções passadas. Em sua declaração, ele afirmou que o mundo agora está "livre da distribuição imponte de drogas". A ação levanta preocupações sobre um possível precedente para intervenções similares em outros países da região.

Analistas apontam que, seguindo a mesma lógica, os EUA poderiam enquadrar facções criminosas brasileiras como o PCC e o Comando Vermelho como ameaças à segurança nacional, o que poderia levar a ações contra o governo que as abrigasse. O mesmo risco se aplicaria à Colômbia do presidente progressista Gustavo Petro.

Contexto regional e reações

Maduro foi retirado do poder em um contexto de crescente isolamento regional e de cobranças até mesmo de ex-aliados, como o próprio Lula, que exigia transparência nas eleições venezuelanas. A ação norte-americana ocorreu sem troca de tiros ou acionamento significativo da defesa antiaérea venezuelana, levantando questionamentos sobre a facilidade da operação.

Especialistas em relações internacionais ponderam que Trump provavelmente agiu contra um Estado já enfraquecido para demonstrar força para sua base eleitoral e enviar um recado a governos não alinhados. No entanto, acreditam que isso não necessariamente inaugura um "modo ataque" contínuo contra outros adversários.

Consequências e incertezas

O ataque direto cria uma situação inédita para o Brasil: não há precedente histórico sobre como agir quando um país vizinho é bombardeado pela maior potência mundial. As consequências imediatas incluem o temor de uma migração em massa de venezuelanos para países fronteiriços, como o Brasil.

Apesar da aparente ousadia, avalia-se que Trump não teria agido sem calcular os riscos de um conflito maior com a Rússia e a China, países que mantinham apoio diplomático a Caracas. O controle sobre uma das maiores reservas de petróleo do planeta, localizada na Venezuela, é apontado como um fator geopolítico central por trás da ação.

A nova fase inaugurada pelos EUA, com intervenções diretas e sem intermediários, sinaliza um mundo onde as regras tradicionais de engajamento estão sendo reescritas, potencialmente tornando o cenário internacional mais volátil e imprevisível.

Deixe seu Comentário
0 Comentários
🍪

Cookies

Nosso site usa cookies para melhorar a experiência do usuário. Ao usar nossos serviços, vocês concorda com a nossa Política de Cookies.