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Imagine receber uma proposta irrecusável: uma mansão avaliada em US$ 4,8 milhões em troca de algumas ações de uma startup. Pois é exatamente isso que o banqueiro Storm Duncan está oferecendo. O motivo? Ele quer, mais do que tudo, um pedaço do bolo da Anthropic, a empresa de inteligência artificial que está virando a nova febre do Vale do Silício.

“Se você vai pescar, precisa colocar uma isca no anzol”, disse Duncan, fundador e sócio-gerente do banco de investimentos Ignatious, em entrevista ao Business Insider. “Qual é a minha outra opção? Ficar de fora?”

Uma mansão como isca

A propriedade em questão fica em Mill Valley, na região de Marin County, e não é qualquer casa. São 13 acres de puro luxo, com vista panorâmica para São Francisco, piscina de borda infinita e spa. O detalhe que faz toda a diferença: fica a apenas 20 minutos de carro dos escritórios da Anthropic na cidade.

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Duncan, que vive principalmente em Jackson Hole, Wyoming, tem outras propriedades, mas escolheu esta justamente por acreditar que seria irresistível para os funcionários da startup. “Ninguém da Anthropic provavelmente vai querer meu lugar em Miami ou Jackson Hole”, brincou.

A febre das ações da Anthropic

O que está por trás dessa oferta insana? A Anthropic, dona do assistente de código Claude Code, viu sua avaliação no mercado secundário disparar para impressionantes US$ 1 trilhão. Investidores estão de olho no crescimento explosivo da receita e no hype em torno de suas ferramentas de IA.

Duncan já possui ações da empresa, adquiridas em uma rodada de financiamento em 2024, quando era mais fácil conseguir papéis. Mas, depois de testar o Claude Code em sua própria firma, ficou obcecado. “Provavelmente vai triplicar nossa produtividade e reduzir nossos custos em 50%”, afirmou. “Comecei a implementar a plataforma e percebi que queria mais exposição a isso.”

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O drama dos funcionários ‘ricos, mas sem liquidez’

O banqueiro aposta que há dezenas de funcionários da Anthropic vivendo um paradoxo: ganham US$ 400 mil por ano, mas têm uma fortuna em ações que não podem vender até a abertura de capital da empresa. “Eles estão sentados em um apartamento de um quarto em São Francisco, mesmo valendo US$ 100 milhões”, explicou. “Essa oferta dá a eles a chance de diversificar.”

Desde que anunciou o negócio, Duncan já recebeu múltiplas propostas — algumas de funcionários, outras de investidores antigos. “Acredito que sejam sérias, mas é uma transação complexa”, ponderou.

Estratégia ousada ou sinal de bolha?

Nas redes sociais, muitos chamaram a oferta de “publicidade barata” ou um sinal claro de que estamos no topo de uma bolha. Outros brincaram que a única coisa mais preciosa que as ações da Anthropic é o mercado imobiliário da Bay Area.

Duncan insiste que a oferta é real e que não está buscando atenção. O problema, segundo ele, é que um pequeno investidor como ele nunca conseguiria comprar ações diretamente da empresa. “A Anthropic não pode perder tempo com pessoas como eu”, disse. “Eles estão procurando quem possa escrever um cheque de US$ 100 milhões de uma só vez.”

O futuro do mercado de IA

A história de Duncan não é isolada. Em 2005, o artista David Choe trocou US$ 60 mil em dinheiro por ações do Facebook — uma aposta que lhe rendeu cerca de US$ 200 milhões quando a empresa abriu capital. Na era pontocom, proprietários de imóveis negociavam aluguel por ações de startups.

A diferença agora é a escassez de ações no mercado secundário, que tem gerado ofertas cada vez mais criativas — e arriscadas. Duncan, que já viu de perto o poder do Claude Code, aposta que o movimento vale a pena. “É a isca certa para o peixe certo”, concluiu.

À medida que a corrida por um lugar no futuro da IA se intensifica, uma coisa é certa: as próximas ofertas podem ser ainda mais surpreendentes.