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Era para ser um resgate com final feliz. No meio da tempestade que castigou o Recife na última sexta-feira (1), Maria Helena Barbosa, de apenas 1 ano e 6 meses, foi retirada com vida dos escombros de um deslizamento de barreira. Mas, na madrugada deste sábado (2), o Hospital da Restauração (HR) confirmou o pior: a menina não resistiu aos ferimentos e se tornou a quinta vítima fatal do temporal que já dura mais de 48 horas em Pernambuco.

A tragédia não poupou a família. No desabamento, a mãe da criança, de 24 anos, e o irmão, de apenas 6 anos, também morreram. O pai, que segue internado no HR, luta pela vida enquanto tenta processar a perda de quase toda a família. O estado de saúde dele não foi divulgado.

O caos que não para: 48 horas de chuva e desespero

Enquanto as famílias choram suas perdas, os números do desastre só aumentam. O Corpo de Bombeiros não para de trabalhar. Até a manhã deste sábado, a corporação havia atendido 39 ocorrências e resgatado 489 pessoas que estavam ilhadas entre o Recife e a Região Metropolitana. A Defesa Civil de Pernambuco contabiliza mais de 2.190 pessoas fora de casa — são 1.094 desalojados e 1.096 desabrigados.

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A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) manteve o alerta vermelho, mas há uma luz no fim do túnel: a previsão é de que a intensidade das chuvas diminua ao longo do dia. Ainda assim, o estrago já está feito. Rios como o Capibaribe, Jaboatão e Ipojuca transbordaram, e alertas hidrológicos foram emitidos para 16 municípios, colocando em risco toda a população ribeirinha.

Lula promete apoio federal; SUS envia Força Nacional

Em meio ao cenário de calamidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou as redes sociais para garantir que o governo federal já está mobilizado. "Determinei o pronto apoio federal às autoridades de Pernambuco", escreveu. O ministro da Integração Regional, Waldez Góes, acionou a Defesa Civil Nacional, que já reconheceu a situação de emergência e deslocou técnicos para a área.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, mobilizou a Força Nacional do SUS para atender as vítimas. A medida é crucial para desafogar hospitais como o HR, que agora lida não apenas com os feridos do temporal, mas com o luto de uma família que perdeu três de seus quatro membros em questão de horas.

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O que esperar do futuro?

Com a tendência de estabilização dos rios, a esperança é que o pior já tenha passado. Mas a tragédia de Maria Helena e sua família serve como um alerta brutal: em um estado onde as chuvas são cada vez mais intensas, a infraestrutura de contenção e o sistema de alerta precisam ser urgentemente repensados. Para os mais de 2.190 desabrigados e desalojados, a reconstrução das casas e das vidas será longa. Para o pai que perdeu esposa e dois filhos, a pergunta que fica é: como recomeçar?