CEO do Google é vaiado e enfrenta protesto em formatura em Stanford
Cerca de 200 estudantes deixaram o local durante discurso de Sundar Pichai contra contratos com Israel e ICE
O CEO do Google, Sundar Pichai, enfrentou uma onda de protestos durante seu discurso de formatura na Universidade de Stanford, no último fim de semana. Cerca de 200 estudantes da turma de formandos deixaram o local, enquanto outros vaiavam o executivo da gigante de tecnologia.
O foco da manifestação foram os contratos de defesa do Google, especialmente o Projeto Nimbus, um controverso acordo de US$ 1,2 bilhão, compartilhado com a Amazon, para fornecer serviços de nuvem e inteligência artificial (IA) ao exército israelense. A relação da empresa com a agência de imigração e alfândega dos EUA (ICE) também foi alvo de críticas.
Cartazes e gritos de 'Palestina Livre'
De acordo com comunicado divulgado pelos organizadores do protesto, os estudantes exibiram cartazes com frases como "ICE ESPIONA COM A IA DO GOOGLE" e "GENOCÍDIO FUNCIONA NO GOOGLE", além de "PALESTINA LIVRE, PALESTINA LIVRE". Vídeos online mostram os manifestantes agitando bandeiras palestinas e gritando "Palestina livre".
"Estamos saindo porque nos recusamos a glorificar as corporações que alimentam essa violência e exercemos nosso poder de escolher de forma diferente", diz trecho de uma declaração associada ao protesto.
A manifestação foi organizada por grupos ativistas do campus, incluindo o Stanford Students for Justice in Palestine, No Tech for Apartheid e Tech for Liberation. O TechCrunch entrou em contato com o Google para comentar o ocorrido, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.
Contexto de tensão interna e externa
A participação do Google no Projeto Nimbus já gerou protestos dentro e fora da empresa desde o início da guerra em Gaza. Em 2024, o Google demitiu 28 funcionários que protestaram contra o contrato. A insatisfação interna, no entanto, continuou. A empresa também foi criticada recentemente pela Electronic Frontier Foundation (EFF), que a acusou, junto a outras companhias, de "escolher olhar para o outro lado" em relação ao uso de seus serviços por Israel.
O Projeto Nimbus também conta com o apoio da Amazon. A Microsoft, por sua vez, também foi criticada por seu apoio ao exército israelense, mas restringiu o uso de sua tecnologia pelo governo de Israel após uma investigação descobrir que seus serviços de nuvem estavam sendo usados para vigilância em massa de palestinos.
Reações e críticas ao protesto
O protesto estudantil também gerou críticas de líderes empresariais. Vinod Khosla, bilionário cofundador da Sun Microsystems e um dos mais proeminentes capitalistas de risco do Vale do Silício, postou na rede social X que a manifestação foi "tendenciosa, idiota, míope e muito egoísta". Ele acrescentou que os estudantes "ignoraram os 3 bilhões de pessoas mais pobres do planeta que poderiam se beneficiar da IA e estão preocupados com seu interesse próprio mal informado".
A aparição de Pichai em Stanford faz parte de um padrão mais amplo. Palestrantes em cerimônias de formatura em todo o país têm enfrentado vaias ao tentar empolgar os formandos com o tema da IA. No entanto, raramente a animosidade estudantil foi tão direcionada quanto no caso de Pichai, focada não no hype da IA, mas nas decisões de negócios específicas da empresa que ele lidera. De forma geral, os jovens parecem acreditar que a IA ameaça suas oportunidades de emprego e pode estar prejudicando outras áreas da sociedade.
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