Brasil condena intervenção dos EUA na Venezuela após captura de Maduro
Embaixador brasileiro na ONU afirma que ação militar viola Carta das Nações Unidas e direito internacional.
O governo brasileiro condenou formalmente a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. A posição foi expressa pelo embaixador do Brasil nas Nações Unidas, Paulo Danese, durante reunião do Conselho de Segurança da ONU, nesta segunda-feira (5).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia se manifestado sobre o caso no sábado (3), dia da operação, classificando-a como uma "violação grave do direito internacional". Lula também conversou por telefone na manhã de sábado com Delcy Rodríguez, que assumiu interinamente a presidência venezuelana após os eventos.
Posicionamento na ONU e linha do governo brasileiro
Na reunião do Conselho de Segurança, o embaixador Paulo Danese foi enfático ao rejeitar a ação militar. "O Brasil rejeita categórica e firmemente a intervenção armada em território venezuelano, uma flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional", declarou Danese. Ele acrescentou que "não é possível aceitar o argumento de que os fins justificam os meios".
Esta declaração oficial segue a linha da nota emitida pelo Palácio do Planalto no sábado (3), assinada pelo presidente Lula. No comunicado, Lula ressaltou que os bombardeios e a captura do líder venezuelano ultrapassam "uma linha inaceitável" e representam uma afronta direta à soberania da Venezuela. O presidente também alertou que o episódio "estabelece um precedente perigoso para a comunidade internacional".
Transição de poder na Venezuela e contato de Lula
Após os ataques em Caracas, Delcy Rodríguez, que até então ocupava o cargo de vice-presidente, assumiu interinamente a presidência da Venezuela, com o reconhecimento das Forças Armadas do país a partir de domingo (4). Ela tomou posse formalmente perante o Parlamento nesta segunda-feira (5), no Salão Tríptico da Assembleia Nacional.
Em seu discurso, Rodríguez mencionou a captura de Maduro e Flores e se comprometeu a proteger a nação como "livre, soberana e independente", além de prometer "paz econômica, política e social" à população.
Fontes do Planalto descreveram a ligação telefônica do presidente Lula para Delcy Rodríguez como "super rápida". O objetivo do presidente brasileiro era confirmar as informações divulgadas pelo governo dos EUA sobre a prisão de Maduro, o que foi confirmado por Rodríguez, embora ela ainda não tivesse detalhes sobre o paradeiro do ex-presidente.
Contexto e próximos passos
A intervenção militar norte-americana e a subsequente captura de Maduro marcam um ponto de inflexão na crise política venezuelana, que se arrasta há anos. A resposta brasileira, alinhada com princípios de não-intervenção e soberania, reflete uma posição histórica da política externa do país em foros multilaterais.
O caso deve continuar a ser debatido intensamente no Conselho de Segurança da ONU, onde o Brasil, atualmente membro não-permanente, defende uma solução pacífica e dentro dos marcos do direito internacional para a situação venezuelana.
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