Você já imaginou um avião de passageiros da década de 60 sendo transformado em uma arma letal contra drones? Pois é exatamente isso que está acontecendo nos céus da Ucrânia.
As forças ucranianas estão usando o Antonov An-28, um turbohélice soviético originalmente projetado para transporte, como uma plataforma aérea móvel para lançar drones interceptores contra os temidos Shaheds russos. Uma verdadeira revolução na guerra de drones.
O vídeo que mudou tudo
O piloto ucraniano Tymur Fatkullin postou imagens impressionantes nas redes sociais mostrando o momento exato em que os drones são lançados debaixo das asas do An-28. “Você poderia chamar isso de míssil ar-ar barato”, escreveu Fatkullin, explicando que a tecnologia também permite operar drones em condições de visibilidade zero.
As gravações mostram os interceptores P1-Sun, fabricados pela empresa ucraniana Skyfall, sendo disparados individualmente. Cada um deles rastreia e destrói um Shahed com precisão cirúrgica.
Como funciona o “Caçador de Shaheds”
A modificação é engenhosa: o An-28 recebeu pilones especiais sob as asas, permitindo carregar pelo menos três drones interceptores por lado. Antes, a tripulação usava metralhadoras na porta lateral para abater os drones russos – uma tática que já rendeu dezenas de abates e rendeu ao avião o apelido de “Caçador de Shaheds”.
Mas a nova configuração é um salto tecnológico. O avião pode cruzar a 335 km/h, e os drones lançados ganham velocidade extra se voarem na mesma direção, facilitando a perseguição aos Shaheds, que voam a cerca de 185 km/h.
Vantagens que salvam vidas
O sistema resolve um problema crítico: a mobilidade. Em vez de equipes em carros ou caminhões precisarem se deslocar até a área de ameaça, o An-28 pode decolar de pistas curtas e improvisadas e se posicionar rapidamente perto do alvo.
Outra empresa ucraniana, a Wild Hornets, também confirmou que seu drone Sting foi lançado de um An-28 em missão real. E não parou por aí: eles já testaram o mesmo interceptor a partir de navios de superfície não tripulados, mostrando que a tecnologia está se espalhando.
Corrida contra o tempo
A Ucrânia está correndo para aumentar a velocidade desses drones. Em dezembro, um pequeno interceptor atingiu 400 km/h, um recorde. O motivo da pressa? A Rússia está desenvolvendo novas munições vagantes, como o Geran-3 e Geran-5, que podem voar a até 595 km/h.
Enquanto isso, o humilde An-28, que voou pela primeira vez em 1968, se tornou um símbolo da capacidade ucraniana de inovar com recursos limitados. Uma lição de que, na guerra moderna, criatividade pode valer mais que tecnologia de ponta.