Celac encerra reunião sem consenso sobre crise na Venezuela após ataques de Trump
Chanceler brasileiro destaca preocupação generalizada entre os países membros, mas grupo não emite posição oficial conjunta.
A Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) concluiu uma reunião de emergência neste domingo (4) sem chegar a um acordo sobre a situação na Venezuela. O encontro foi convocado após os ataques do governo do ex-presidente dos EUA Donald Trump contra a Venezuela, ocorridos na madrugada de sábado (3). A informação foi divulgada pela rede CNN.
A reunião, que começou por volta das 14h e foi realizada a portas fechadas, contou com a presença de quase todos os 33 países membros do bloco. Segundo a emissora, não foi emitida uma nota oficial ao final dos debates. Integrantes do governo brasileiro informaram que o país mantém sua posição, considerando os ataques como de "alta gravidade".
Posição do Brasil e preocupação regional
O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, participou da reunião e destacou a inquietação que se espalha pela região. "Existe um grande número de países preocupados com a situação na Venezuela", afirmou Vieira, conforme reportado pela CNN. Apesar da discussão, a Celac não conseguiu unificar uma declaração ou medida conjunta em resposta aos recentes eventos.
O governo brasileiro, em comunicado anterior, já havia classificado os ataques ordenados por Trump como um ato de extrema gravidade, condenando o uso da força e defendendo uma solução pacífica e diplomática para a crise venezuelana.
O papel e a história da Celac
A Celac foi lançada em 2010 e está em atividade desde 2011, com o objetivo de ser um fórum de diálogo político e cooperação regional sem a participação dos Estados Unidos e do Canadá. Segundo o Itamaraty, o bloco "promove o diálogo político de alto nível e ações de cooperação regional em diversos temas, como segurança alimentar, energia, educação, saúde, inclusão social, desenvolvimento sustentável, transformação digital e infraestrutura para a integração".
A falta de consenso em temas sensíveis, como a crise venezuelana, não é inédita no grupo, que reúne países com visões políticas e alinhamentos externos bastante diversos.
Próximos passos e contexto
A ausência de uma posição unificada da Celac deixa as respostas à crise nas mãos de ações individuais de cada país ou de outros fóruns internacionais. A situação tende a manter a Venezuela no centro das tensões geopolíticas na região, com o governo de Nicolás Maduro enfrentando pressões internas e externas renovadas.
Especialistas em relações internacionais avaliam que a incapacidade de acordo reflete as profundas divisões políticas na América Latina, dificultando uma ação coletiva eficaz em cenários de crise aguda. A comunidade internacional aguarda novos desdobramentos e possíveis movimentos diplomáticos isolados nos próximos dias.
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