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Uma sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi interrompida nesta semana após deputados avançarem sobre a mesa diretora em meio a gritaria e acusações cruzadas. O episódio, transmitido pela TV Senado, transformou o debate em tumulto e desviou o foco da investigação sobre suspeitas de prejuízos a aposentados e pensionistas.

A CPMI foi instaurada para apurar denúncias que podem ter afetado milhões de brasileiros que confiam nas instituições previdenciárias. No entanto, a discussão técnica deu lugar a cenas de empurrão e tentativa de impedir votações, comportamento que o colunista Oscar Filho, em artigo para o iG, comparou ao de uma "arquibancada" e não de um plenário.

Episódio reflete padrão preocupante, diz analista

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Para o colunista e humorista Oscar Filho, um dos pioneiros do stand-up no Brasil, o episódio não é isolado. "Todo mandato tem suas cenas de empurrão, invasão de mesa e tentativa de impedir votação no braço", afirmou. Ele destaca que, enquanto o MMA (Mixed Martial Arts) evoluiu de um "Vale Tudo" sem regras para um esporte com limites claros, o parlamento parece caminhar na direção oposta.

"O conflito político é normal e até necessário. O problema começa quando deixa de ser confronto de ideias e vira confronto físico", analisou Filho, que é apresentador, ator e foi indicado ao Emmy Internacional em 2024.

Histórico de violência no Congresso tem caso fatal

O Congresso Nacional já registrou episódios de violência extrema. Em 1963, no plenário do Senado, o senador Arnon de Mello, pai do ex-presidente Fernando Collor, sacou uma arma durante uma discussão e atirou contra um adversário. O tiro errou o alvo e matou o senador José Kairala, registrando a morte de um parlamentar a tiros dentro do Congresso.

Especialistas apontam que a ausência de novos casos da mesma gravidade pode estar menos relacionada a uma política mais civilizada e mais à instalação de detectores de metal nas entradas dos plenários.

Sinal para a sociedade e próximos passos

O colunista argumenta que quando parlamentares partem para o empurrão, "o sinal que se transmite é outro, o de que a regra vale até o momento em que passa a incomodar". Enquanto no UFC os adversários se cumprimentam após a luta, no parlamento, "às vezes ocorre o oposto, ninguém aceita perder, o juiz é contestado e a luta continua depois do gongo".

A violência na política, diferente da violência no esporte, é vista como um sinal de falha na organização da sociedade. A CPMI do INSS deve retomar seus trabalhos, mas o episódio deixa a questão sobre como conflitos serão administrados no futuro e se o foco voltará aos aposentados que a comissão deveria representar.