Engenheiro do Google faturou US$ 1,2 milhão em aposta ilegal na Polymarket; entenda o esquema

Engenheiro do Google faturou US$ 1,2 milhão em aposta ilegal na Polymarket; entenda o esquema

Funcionário usou dados confidenciais da gigante de tecnologia para lucrar em mercado de previsões

Redação
Redação

28 de maio de 2026

Você já imaginou ter acesso a informações secretas da empresa onde trabalha e usá-las para faturar uma fortuna em apostas? Pois foi exatamente isso que um engenheiro do Google fez — e agora enfrenta até 50 anos de prisão.

O Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) revelou um caso que está chocando o mundo da tecnologia e dos mercados financeiros: Michele Spagnuolo, de 36 anos, engenheiro de software do Google, usou informações confidenciais da empresa para lucrar mais de US$ 1,2 milhão na Polymarket, uma plataforma de apostas em eventos.

O esquema do "AlphaRaccoon"

Segundo as investigações, Spagnuolo criou uma conta na Polymarket em 2024 com o nome de usuário "AlphaRaccoon". Entre outubro e dezembro do ano passado, ele apostou cerca de US$ 2,754 milhões em mercados que dependiam de informações internas do Google.

O FBI descobriu que o engenheiro tinha acesso a "tendências confidenciais" dentro da empresa — dados que poderiam prever movimentos de mercado antes de qualquer outra pessoa. E foi exatamente isso que ele fez: usou esse conhecimento privilegiado para fazer apostas quase certeiras.

O que ele sabia que ninguém mais sabia?

De acordo com o LinkedIn do engenheiro, Spagnuolo era um engenheiro sênior de segurança da informação e trabalhava justamente na criação da infraestrutura para implantar agentes de IA dentro da Alphabet, controladora do Google. Ou seja: ele estava no centro das decisões mais estratégicas da empresa.

Jay Clayton, promotor de Nova York, foi direto: "As acusações de hoje reforçam uma mensagem de décadas: pessoas de dentro das empresas não podem usar informações confidenciais para obter lucro em nossos mercados."

O perigo dos mercados de previsão

O caso expõe um problema crescente: as plataformas de apostas como Polymarket e Kalshi estão sob forte escrutínio nos EUA. Elas permitem que usuários apostem em eventos esportivos, políticos e culturais — mas, como mostrou o caso do Google, também abrem brechas perigosas para insider trading.

Na semana passada, Minnesota se tornou o primeiro estado americano a proibir totalmente os mercados de previsão, com a lei entrando em vigor em agosto. E vários parlamentares já propuseram projetos para conter essas plataformas, como o "Prediction Markets Are Gambling Act", dos senadores Adam Schiff e John Curtis.

O que esperar daqui para frente

Spagnuolo enfrenta acusações de violação do Commodity Exchange Act, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro — crimes que somam até 50 anos de prisão. A Polymarket e a Kalshi afirmam que já implementaram barreiras contra insider trading, como bloquear políticos e atletas de fazerem apostas.

Mas o caso do engenheiro do Google mostra que o problema pode ser muito maior do que as empresas imaginam. Afinal, se um funcionário com acesso a dados confidenciais conseguiu lucrar mais de um milhão de dólares em apenas três meses, quantos outros podem estar fazendo o mesmo?

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