O ciclone tropical Narelle atingiu a costa oeste da Austrália como um sistema de categoria 3, causando ventos de até 250 km/h, chuva intensa e uma imensa nuvem de poeira que tingiu o céu de vermelho-alaranjado, criando um cenário descrito como "apocalíptico". O fenômeno, registrado na sexta-feira (27), provocou estragos como telhados arrancados, alagamentos e interrupção no fornecimento de energia e água em cidades como Exmouth e Shark Bay.
Autoridades locais emitiram alertas de emergência e orientaram a população a permanecer em locais seguros. Além dos danos estruturais, as fortes rajadas de vento suspenderam partículas de poeira ricas em ferro do solo seco, fenômeno que explica a coloração avermelhada do céu. Moradores relataram dificuldade para respirar devido à qualidade do ar.
Impacto econômico e operacional
O ciclone forçou a paralisação das atividades nas usinas de Gorgon e Wheatstone, operadas pela Chevron. Juntas, as unidades são responsáveis por aproximadamente 5% da produção mundial de gás natural liquefeito (GNL). A interrupção ocorreu como medida de segurança preventiva durante a passagem do fenômeno.
O Departamento de Meteorologia do governo australiano monitorou o Narelle desde sua formação no Mar de Coral, em 16 de março. O ciclone ganhou força rapidamente, atingindo a categoria 5 – o nível mais alto – no dia 19, antes de chegar mais fraco ao continente.
Fenômeno natural com tons intensos
A cor incomum do céu é um fenômeno natural explicado pela física atmosférica. As partículas de poeira, ricas em óxido de ferro, alteram a forma como a luz solar atravessa a atmosfera, filtrando os comprimentos de onda azuis e permitindo a passagem dos tons vermelhos e laranjas. Especialistas destacam que, apesar do visual impactante, o processo é comum em regiões áridas durante tempestades de vento intensas.
Durante sua passagem, o ciclone também trouxe um grande volume de chuva, com acumulados acima de 150 mm em algumas áreas, e causou avanço do mar sobre a costa, elevando o risco de inundações.
Enfraquecimento e trajetória incomum
No sábado (28), o ciclone perdeu força significativa, sendo rebaixado pelo órgão meteorológico para uma tempestade tropical e, posteriormente, para uma área de baixa pressão. No entanto, o sistema continuou a provocar chuva forte e ventos intensos no interior do estado da Austrália Ocidental.
Meteorologistas consideraram a trajetória do Narelle como incomum, pois ele percorreu uma extensa área do território australiano, cruzando milhares de quilômetros – um comportamento considerado raro para ciclones na região. Após avançar pelo interior, o sistema afastou-se para o oceano, onde perdeu totalmente sua intensidade.