Como uma marca de surfwear dos anos 90 está prestes a faturar US$ 1 bilhão em 2025 — e o segredo não é o marketing digital
Pacsun deixou de lado os influenciadores e apostou em algo mais poderoso para reconquistar a Geração Z. O resultado? Crescimento de 10% ao ano e planos de expansão internacional.
No saguão principal do Metropolitan Museum of Art, em Nova York, um violinista tocava suavemente ao fundo. As famosas colunas estavam iluminadas em laranja, e as mesas de coquetel exibiam peônias magenta. O cenário era sofisticado, mas a anfitriã da noite era a CEO da Pacsun, Brieane Olson, lançando seu novo livro, “Co Created”.
Confesso que, à primeira vista, aquela cena artística não combinava com a Pacsun que eu conhecia — aquela marca casual de roupas de praia que fez sucesso entre os millenials. Mas, como Olson explicou para centenas de convidados naquela noite, a Pacsun de hoje é radicalmente diferente.
O novo norte da marca: comunidade, não influenciadores
Enquanto a maioria das marcas ainda corre atrás de influenciadores para falar diretamente com os consumidores, a Pacsun tomou um caminho oposto. A CEO revelou que a estratégia atual é falar diretamente com a Geração Z e, mais do que isso, convidá-los para construir a marca junto com ela.
“Quando compartilhamos isso com as pessoas, muitas vezes encontramos resistência, porque dizem que é uma meta muito ambiciosa”, admitiu Olson. Mas não se trata de teoria. A Pacsun já pratica essa visão há anos, com parcerias de peso como Selena Gomez e sua Rare Beauty, a Fórmula 1 e até a Live Nation.
Os números que provam que a aposta deu certo
E os resultados são impressionantes. A Pacsun está prestes a atingir US$ 1 bilhão em vendas anuais em 2025, com um crescimento de receita de cerca de 10% ao ano nos últimos dois anos. A empresa não para: está abrindo novas lojas nos Estados Unidos e se prepara para inaugurar sua primeira unidade internacional em Dubai no próximo ano.
Para se ter uma ideia do tamanho desse feito, enquanto muitas varejistas estão fechando lojas e cortando custos, a Pacsun está em plena expansão. O segredo? Uma estratégia cultural que prioriza a cocriação com o público, em vez de simplesmente empurrar produtos via anúncios.
O que isso significa para o futuro do varejo
Olson deixou claro que o objetivo da marca vai muito além de vender roupas. “Queremos inspirar a próxima geração e construir comunidade para criar um mundo melhor, na interseção do esporte, música, arte e paixão”, disse ela. É uma visão ousada, mas que já está se pagando em dinheiro vivo.
A lição para outras marcas é clara: em um mundo saturado de influenciadores e anúncios pagos, talvez a chave para conquistar a Geração Z seja, ironicamente, tratá-los como parceiros, não como alvos. A Pacsun está mostrando que comunidade não é só uma palavra bonita no papel — é o motor de um negócio bilionário.
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