A defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) apresentou novo recurso à Suprema Corte de Cassação da Itália para tentar barrar sua extradição para o Brasil. A medida ocorre após o Tribunal de Apelação de Roma autorizar, no final de março de 2026, o retorno forçado da bolsonarista, que cumpre prisão preventiva no paÃs desde julho de 2025.
Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023. A extradição foi solicitada pelo governo brasileiro para que ela cumpra a pena em território nacional.
Última instância na Itália decide futuro jurÃdico
A Suprema Corte de Cassação da Itália, órgão equivalente ao STF brasileiro, é a última instância judicial do paÃs. Os advogados de Zambelli sustentam, no recurso, que ela é vÃtima de perseguição polÃtica por parte do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A mesma tese já havia sido rejeitada pelo Tribunal de Apelação de Roma em sua decisão de março.
A corte italiana tem um prazo de até seis meses para julgar o mérito do recurso. Enquanto isso, Carla Zambelli permanecerá detida na prisão feminina de Rebibbia, em Roma, onde está desde 29 de julho de 2025.
Decisão final caberá ao governo Meloni
Independentemente do resultado na Suprema Corte de Cassação, a palavra final sobre a extradição será do Ministério da Justiça italiano, comandado pelo governo da primeira-ministra Giorgia Meloni. Meloni representa a ultradireita italiana e é considerada simpática ao bolsonarismo, fator que pode influenciar a decisão polÃtica após o trâmite judicial.
O processo marca um capÃtulo internacional da crise polÃtica brasileira, com um caso judicial de alta relevância sendo disputado nas cortes de um paÃs europeu.
Contexto da condenação e fuga
Carla Zambelli foi condenada em definitivo pelo STF em 2024. Antes de ser presa, a ex-parlamentar deixou o Brasil e foi localizada pelas autoridades italianas. A prisão preventiva na Itália foi decretada para garantir a possibilidade de extradição, após o Brasil formalizar o pedido por meio de canais diplomáticos.
A defesa internacional da ex-deputada tem utilizado o argumento de que ela não teria um julgamento justo no Brasil, alegação consistentemente negada pelas autoridades judiciais brasileiras e, até agora, pela justiça italiana de primeira instância e de apelação.