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Diferença de 15°C entre favelas e bairros ricos expõe desigualdade climática em SP
Saúde e Bem-Estar

Diferença de 15°C entre favelas e bairros ricos expõe desigualdade climática em SP

Estudo revela como falta de áreas verdes e infraestrutura inadequada ampliam calor nas periferias paulistanas.

Redação
Redação

30 de dezembro de 2025 ·
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Um novo estudo científico revelou uma diferença de temperatura de até 15°C entre favelas e bairros de alta renda na cidade de São Paulo durante o verão. A pesquisa, que mapeou o microclima urbano, expõe uma realidade de desigualdade climática na maior metrópole do país, onde condições de infraestrutura e planejamento urbano impactam diretamente o conforto térmico da população.

A disparidade, registrada em medições recentes, não é um dado meramente estatístico, mas um reflexo das condições urbanas distintas que afetam a qualidade de vida. Enquanto bairros nobres contam com maior arborização e materiais de construção que refletem calor, as comunidades periféricas sofrem com o efeito conhecido como "ilhas de calor".

Fatores que ampliam o calor nas periferias

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As comunidades periféricas enfrentam uma combinação de fatores que contribuem para as temperaturas extremas. A menor cobertura vegetal é um dos principais elementos, seguida pela maior densidade de construções e pela presença de materiais que absorvem mais calor, como telhas de amianto e concreto exposto.

O planejamento urbano inadequado também reduz a circulação de ar, criando ambientes abafados. "É uma sobreposição de vulnerabilidades", explica um especialista em climatologia urbana ouvido pela reportagem. "Onde já há carência de serviços públicos, soma-se a agressão térmica, criando um ciclo de desconforto e risco à saúde."

Impactos diretos na saúde e no bolso

O calor excessivo afeta diretamente a saúde dos moradores, com crianças, idosos e pessoas com condições crônicas sendo os mais vulneráveis. As altas temperaturas podem agravar problemas respiratórios e cardiovasculares, além de aumentar os casos de desidratação, especialmente durante as ondas de calor mais intensas.

O impacto econômico é significativo: o consumo de energia para refrigeração, com o uso mais intenso de ventiladores e, quando possível, aparelhos de ar-condicionado, pesa no orçamento familiar. Em regiões onde a renda já é mais baixa, essa despesa extra compromete outros gastos essenciais.

Soluções comunitárias e caminhos possíveis

Apesar dos desafios, muitas comunidades têm desenvolvido iniciativas próprias para mitigar os efeitos do calor. Hortas comunitárias, projetos de arborização local liderados por moradores e adaptações nas construções para melhorar a ventilação natural são exemplos de respostas criativas à falta de políticas públicas.

Especialistas defendem que é fundamental que o poder público reconheça oficialmente essa desigualdade climática como uma questão de saúde e bem-estar. As medidas sugeridas incluem a criação sistemática de áreas verdes e parques nas periferias, a melhoria da infraestrutura urbana com materiais mais adequados e a revisão dos programas de habitação para incluir critérios de conforto térmico desde o projeto.

O estudo serve como um alerta para que o planejamento das cidades considere o clima como um fator de equidade. Sem intervenções direcionadas, a tendência é que o aquecimento global amplie ainda mais essa lacuna térmica entre diferentes regiões da mesma cidade.

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