**Você confiaria em um piloto que troca de copiloto segundos antes da decolagem?** Pois é exatamente isso que está acontecendo na Lucid Motors. Em um momento crítico, quando a montadora se prepara para lançar seu primeiro carro elétrico “popular” — com preço abaixo dos US$ 50 mil —, um de seus executivos mais experientes simplesmente bateu a porta.
A saída que ninguém esperava
Emad Dlala, o braço direito da engenharia da Lucid por mais de uma década, deixou o cargo. A informação foi confirmada pela própria empresa ao TechCrunch. Dlala havia sido promovido a um posto de liderança em novembro, supervisionando toda a área de “Engenharia e Digital”. Mal durou seis meses.
A saída dele é a primeira grande baixa na diretoria desde que Silvio Napoli assumiu como novo CEO, em abril. Napoli, que passou a carreira inteira na fabricante de elevadores Schindler, assumiu o volante da Lucid há apenas uma semana.
“Transformação” ou terremoto interno?
Em comunicado oficial, a Lucid tentou minimizar o estrago. Disse que está “transformando a organização para acelerar a inovação” e que, como parte dessa mudança, dois outros vice-presidentes — Vivek Attaluri (engenharia de veículos) e Marc Solsona Palomar (software) — agora se reportarão diretamente ao novo CEO.
“Emad Dlala optou por sair para buscar outras oportunidades. Agradecemos por suas contribuições”, disse a empresa, em tom diplomático. Dlala, por sua vez, não quis comentar.
O histórico de turbulências
Dlala não era um funcionário qualquer. Ele estava na Lucid há mais de 10 anos — um dos mais longevos da casa. Nos últimos cinco anos, comandou a equipe de trem de força (powertrain), o coração de qualquer carro elétrico.
Mas a saída dele não é um fato isolado. Em novembro, a Lucid já havia se despedido do chefe de engenharia Eric Bach, que depois processou a empresa por demissão injusta. Em fevereiro, a montadora demitiu 12% de sua força de trabalho. E o CEO anterior, Peter Rawlinson, saiu de forma repentina no início de 2025.
Ou seja: a Lucid está perdendo peças-chave bem na hora em que mais precisa de estabilidade.
O que está em jogo?
O timing não poderia ser pior. A saída de Dlala acontece a poucos meses do lançamento do Cosmos, o primeiro carro elétrico de massa da Lucid, construído sobre uma plataforma de tamanho médio. A promessa é um veículo abaixo dos US$ 50 mil — uma tentativa desesperada de a Lucid, controlada por capital saudita, finalmente competir com Tesla e outras montadoras no mercado popular.
E não é só isso. Esse novo carro é a peça central do acordo da Lucid com a Uber para fornecer robotáxis. A empresa também fechou parceria com a Nuro para desenvolver veículos autônomos, começando com o SUV Gravity.
O futuro sobre rodas
A pergunta que fica é: como lançar um carro revolucionário e barato enquanto sua equipe de engenharia desmorona? O novo CEO, vindo do mundo de elevadores, terá que mostrar serviço rápido. Se não conseguir estancar essa sangria de talentos, o “carro do povo” da Lucid pode nunca sair da garagem.
Para quem aposta na Lucid como a grande rival da Tesla, os próximos meses serão decisivos. Ou a empresa se reorganiza, ou corre o risco de ver seu grande lançamento naufragar antes mesmo de chegar ao mercado.
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