A Spirit Airlines fechou as portas no último sábado de madrugada, deixando 17 mil funcionários na mão e milhares de passageiros desesperados. Mas, enquanto uns lamentavam, um superfã já estava colocando em prática um plano que pode mudar a história da aviação comercial americana.
O plano que nasceu de uma piada e viralizou
Hunter Peterson, dublador e autoproclamado fã número 1 da Spirit, não perdeu tempo. Horas após o anúncio do colapso, ele publicou um vídeo no Instagram com uma proposta ousada: “Nós poderíamos comprar a Spirit Airlines”. O que começou como uma brincadeira rapidamente saiu do controle — para o bem.
“Isso começou como uma piada e está saindo do controle da melhor maneira possível”, disse Peterson em outra publicação. Em menos de 24 horas, o movimento Spirit 2.0 já tinha um site, uma promessa e milhares de seguidores engajados.
Como funciona a ideia que já arrecadou milhões em promessas
O conceito é simples, mas revolucionário: qualquer pessoa pode contribuir — ex-funcionários, passageiros, comunidades atendidas pela companhia. O site da Spirit 2.0 já recebeu mais de US$ 2,8 milhões em promessas de contribuição de 36.605 pessoas até domingo à tarde. Nenhum dinheiro foi coletado ainda, mas a intenção está registrada.
“O capital privado já está circulando os destroços. Mas antes que eles fechem o negócio, existe uma janela estreita para algo que nunca aconteceu na aviação comercial: os passageiros, os trabalhadores e as comunidades podem retomar o controle”, escreveu Peterson no site oficial.
O valor mínimo para declarar interesse? Apenas US$ 45. “Registre sua intenção de contribuir — a partir de US$ 45. Nenhum dinheiro se move ainda. Esta é sua declaração de que você quer entrar antes que a janela se feche”, diz o site.
O modelo dos Green Bay Packers aplicado à aviação
A inspiração vem de um lugar improvável: o futebol americano. O Green Bay Packers é o único time da NFL que é público e sem fins lucrativos, pertencente a mais de 538 mil acionistas. Nenhum bilionário pode mudar o time de cidade. Nenhum fundo de investimento pode desmontá-lo.
“Spirit 2.0 é esse modelo — aplicado à aviação, pela primeira vez na história americana”, explica Peterson. A ideia é criar uma companhia aérea que pertença às pessoas, não a investidores de Wall Street.
O desafio bilionário e o contexto do colapso
Para efeito de comparação, a JetBlue tentou comprar a Spirit em 2022 por cerca de US$ 3,8 bilhões, antes de reguladores antitruste barrarem a operação. Os US$ 2,8 milhões prometidos até agora ainda são uma gota no oceano. Mas Peterson não desanima.
A Spirit Airlines operou por 34 anos como sinônimo de tarifas ultrabaixas nos Estados Unidos. Seu colapso foi resultado de anos turbulentos: demissões, fusões fracassadas, falências e um resgate federal de US$ 500 milhões negado pelo governo Trump. O fim repentino deixou 17 mil funcionários sem emprego e passageiros desesperados por novas passagens.
Enquanto isso, concorrentes como United Airlines e American Airlines já estão oferecendo tarifas com desconto para os passageiros afetados.
O que vem agora? A janela que pode mudar a aviação
Peterson, que já se autointitula o potencial novo CEO da Spirit, está surpreso com a repercussão. “Estou genuinamente surtando agora”, disse em um post no Instagram. O site que ele construiu em uma hora continua caindo devido ao alto tráfego.
A mensagem no topo do site é clara: “As pessoas podem possuí-lo”. Se a ideia vingar, pode ser o primeiro caso na história em que uma companhia aérea é comprada por seus próprios clientes e funcionários. O relógio está correndo, e o capital privado não espera. Mas, pela primeira vez, os pequenos têm uma chance real de dizer: “Nós também podemos”.