Figurantes de filme sobre Bolsonaro denunciam maus-tratos, assédio e cachê de R$ 100
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Figurantes de filme sobre Bolsonaro denunciam maus-tratos, assédio e cachê de R$ 100

Relatório do Sindicato dos Artistas revela condições abusivas nos bastidores de "Dark Horse"

Redação Por Redação • 15 de maio de 2026

Você topa trabalhar um dia inteiro, comer comida estragada, passar por revista íntima e, no fim, receber apenas R$ 100? Foi exatamente isso que dezenas de figurantes do longa-metragem Dark Horse, que conta a trajetória política de Jair Bolsonaro, denunciaram ao Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (SATED-SP).

O relatório, que reúne uma série de relatos chocantes, pinta um retrato sombrio dos bastidores da produção. As acusações vão desde assédio moral e condições degradantes de trabalho até supostas agressões físicas. O documento foi obtido pelo portal iG e traz detalhes que deixam qualquer um de queixo caído.

Revista íntima e comida estragada: o dia a dia nos sets

De acordo com o dossiê da SATED/SP, os figurantes brasileiros eram submetidos, logo pela manhã, a revistas pessoais realizadas por seguranças de produção. A ação foi classificada pelos próprios trabalhadores como "abusiva, invasiva e humilhante". Mas não parava por aí.

Os relatos também apontam um tratamento diferenciado e cruel, que, segundo os denunciantes, destoava completamente "das condições mínimas normalmente asseguradas em produções audiovisuais de porte semelhante". Para completar o cenário de descaso, os trabalhadores afirmam ter recebido comida estragada durante as gravações.

O cachê que não cobre nem o transporte

Se você acha que R$ 100 por um dia de trabalho já é um absurdo, a história fica ainda pior. A agência responsável pelo recrutamento dos figurantes ofertava R$ 100 para os figurantes comuns e R$ 170 para o elenco de apoio. Mas a humilhação financeira tinha uma camada extra.

O SATED-SP recebeu uma gravação de áudio que comprovaria o aliciamento dos figurantes. Nela, há a cobrança de R$ 10 pelo transporte até as locações de filmagem. Esse valor, segundo a denúncia, era cobrado à vista ou descontado diretamente do cachê da diária, no final do dia de gravação. Ou seja, alguns trabalhadores podiam sair de casa, passar por tudo isso e ainda receber apenas R$ 90 líquidos.

O que diz a produção?

O iG entrou em contato com a produtora GOUP Entertainment para comentar as denúncias, mas até o momento não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

Vale lembrar que "Dark Horse" é um filme que já havia voltado aos holofotes recentemente por outro motivo: um áudio divulgado pelo Intercept Brasil mostra Flávio Bolsonaro cobrando do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o pagamento de aproximadamente R$ 61 milhões em parcelas atrasadas para financiar a produção.

Com estreia prevista para 11 de setembro de 2026, o longa é dirigido por Cyrus Nowrasteh e tem roteiro escrito por ele, Mark Nowrasteh e pelo ex-secretário especial da Cultura Mário Frias (PL), que também atua como produtor executivo e interpreta um dos médicos que atenderam Bolsonaro após a facada em 2018. A pergunta que fica é: que história o filme vai contar, se por trás das câmeras o roteiro já é tão sombrio?

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