Figurantes de filme sobre Bolsonaro denunciam maus-tratos, assédio e cachê de R$ 100
Relatório do Sindicato dos Artistas revela condições abusivas nos bastidores de "Dark Horse"
Você topa trabalhar um dia inteiro, comer comida estragada, passar por revista íntima e, no fim, receber apenas R$ 100? Foi exatamente isso que dezenas de figurantes do longa-metragem Dark Horse, que conta a trajetória política de Jair Bolsonaro, denunciaram ao Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (SATED-SP).
O relatório, que reúne uma série de relatos chocantes, pinta um retrato sombrio dos bastidores da produção. As acusações vão desde assédio moral e condições degradantes de trabalho até supostas agressões físicas. O documento foi obtido pelo portal iG e traz detalhes que deixam qualquer um de queixo caído.
Revista íntima e comida estragada: o dia a dia nos sets
De acordo com o dossiê da SATED/SP, os figurantes brasileiros eram submetidos, logo pela manhã, a revistas pessoais realizadas por seguranças de produção. A ação foi classificada pelos próprios trabalhadores como "abusiva, invasiva e humilhante". Mas não parava por aí.
Os relatos também apontam um tratamento diferenciado e cruel, que, segundo os denunciantes, destoava completamente "das condições mínimas normalmente asseguradas em produções audiovisuais de porte semelhante". Para completar o cenário de descaso, os trabalhadores afirmam ter recebido comida estragada durante as gravações.
O cachê que não cobre nem o transporte
Se você acha que R$ 100 por um dia de trabalho já é um absurdo, a história fica ainda pior. A agência responsável pelo recrutamento dos figurantes ofertava R$ 100 para os figurantes comuns e R$ 170 para o elenco de apoio. Mas a humilhação financeira tinha uma camada extra.
O SATED-SP recebeu uma gravação de áudio que comprovaria o aliciamento dos figurantes. Nela, há a cobrança de R$ 10 pelo transporte até as locações de filmagem. Esse valor, segundo a denúncia, era cobrado à vista ou descontado diretamente do cachê da diária, no final do dia de gravação. Ou seja, alguns trabalhadores podiam sair de casa, passar por tudo isso e ainda receber apenas R$ 90 líquidos.
O que diz a produção?
O iG entrou em contato com a produtora GOUP Entertainment para comentar as denúncias, mas até o momento não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Vale lembrar que "Dark Horse" é um filme que já havia voltado aos holofotes recentemente por outro motivo: um áudio divulgado pelo Intercept Brasil mostra Flávio Bolsonaro cobrando do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o pagamento de aproximadamente R$ 61 milhões em parcelas atrasadas para financiar a produção.
Com estreia prevista para 11 de setembro de 2026, o longa é dirigido por Cyrus Nowrasteh e tem roteiro escrito por ele, Mark Nowrasteh e pelo ex-secretário especial da Cultura Mário Frias (PL), que também atua como produtor executivo e interpreta um dos médicos que atenderam Bolsonaro após a facada em 2018. A pergunta que fica é: que história o filme vai contar, se por trás das câmeras o roteiro já é tão sombrio?
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