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Imagine procurar um emprego e, no meio da conversa, descobrir que seu salário depende de quanto do seu corpo você está disposta a exibir. Foi exatamente essa proposta abusiva que duas mulheres, uma de apenas 17 anos, receberam de uma hamburgueria em Ribeirão Preto. A promessa? Até 100% a mais no pagamento para quem aceitasse usar roupas que marcassem as partes íntimas e decotes.

A justificativa do recrutador, segundo as vítimas, era simples e repugnante: funcionárias com essa aparência "atrairiam mais clientes" para o estabelecimento localizado na movimentada Avenida do Café. O caso, que começou com a coragem da adolescente em denunciar, agora é alvo de investigações da Polícia Civil e do Ministério Público do Trabalho por importunação sexual.

Da vaga de emprego à armadilha salarial: como o esquema funcionava

Os anúncios eram postados em grupos de WhatsApp, com uma descrição genérica: "trabalho fixo, para mulheres, sem experiência". O detalhe só aparecia na mensagem privada. Era ali que o responsável pela hamburgueria apresentava as duas opções de pagamento para a mesma função.

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Em um dos casos, a proposta era de R$ 90 por seis horas de trabalho. O valor dobrava para R$ 180 se a candidata aceitasse as condições de vestimenta. Em outra conversa, o salário base de R$ 1,3 mil poderia saltar para R$ 1,7 mil. Tudo atrelado à exposição do corpo.

"Marcando as partes íntimas": o constrangimento nas mensagens

A candidata de 23 anos, em um ato de resistência, questionou diretamente o significado do termo "marcando". A resposta do recrutador foi afirmativa: sim, significava evidenciar as partes íntimas. Ela recusou na hora. Já a adolescente de 17 anos enfrentou um nível ainda mais profundo de violação: o homem pediu fotos do corpo dela para "avaliação".

Abalada, a jovem contou tudo aos pais, que imediatamente registraram um boletim de ocorrência. "Com o tempo percebi que funcionárias com calças justas e decotes atraiam mais clientes", justificou o recrutador nas mensagens trocadas com a adolescente, tentando normalizar o absurdo.

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O que acontece agora? As investigações em andamento

Com as denúncias, a máscara da "oportunidade" caiu. O Ministério Público do Trabalho instaurou um processo para apurar a conduta dos responsáveis pelo estabelecimento. Na Polícia Civil, os casos estão divididos: um é investigado pelo 3º DP de Ribeirão Preto e o outro pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

O caso escancara como práticas de assédio e exploração podem se esconder atrás de anúncios comuns, transformando a busca por sustento em uma armadilha humilhante. A repercussão deve servir de alerta para outras empresas e de amparo para que mais vítimas não hesitem em denunciar abusos disfarçados de "oferta de trabalho".