IBM e Ferrari unem forças para criar fãs de F1 com IA: entenda como
App da Ferrari ganha resumos escritos por IA e experiências personalizadas; engajamento disparou 62%
Você já imaginou ter um aplicativo que não só te informa sobre a corrida, mas que realmente te conhece? Que sabe exatamente qual conteúdo te interessa e ainda conversa com você como um amigo? Pois é exatamente isso que a Ferrari, em parceria com a IBM, está fazendo.
O gigante adormecido acordou
Há dois anos, a IBM percebeu que faltava uma peça no seu quebra-cabeça de patrocínios esportivos: a Fórmula 1. E não é para menos. A categoria virou um fenômeno global, impulsionada pelo sucesso da série “Drive to Survive” da Netflix, que transformou pilotos em celebridades e atraiu uma legião de novos fãs, especialmente nos Estados Unidos.
Empresas de tecnologia como AWS, Oracle e Anthropic já estavam de olho nesse filão. Mas a IBM foi além: fechou com a Scuderia Ferrari HP, a equipe mais vitoriosa da história. “Eles são o time com mais vitórias na história”, disse Kameryn Stanhouse, vice-presidente de Parcerias Esportivas e de Entretenimento da IBM.
O segredo não está só na pista
O coração dessa parceria não é apenas colocar um adesivo no carro. É sobre usar inteligência artificial para contar histórias. A Ferrari contratou Stefano Pallard para um cargo inédito: “head of fan development” (chefe de desenvolvimento de fãs). O desafio? Não apenas alcançar os fãs, mas “fazer cada um deles sentir que nós os conhecemos”.
“Isso começa com pegar os dados que obtemos da pista e transformá-los em conteúdo fácil de seguir e envolvente”, explicou Pallard. As equipes processam milhões de dados por segundo durante cada corrida. A IA da IBM transforma essa enxurrada de números em algo que você, fã, consegue entender e curtir.
O que mudou no app da Ferrari?
As mudanças foram profundas. Coisas simples, mas que faziam falta: o app agora está disponível em italiano. Sim, a Ferrari é italiana, mas o app não era oferecido no idioma do país até a parceria com a IBM.
Mas as novidades não param por aí. O antigo app era um lugar onde as pessoas iam para ver detalhes da corrida e depois saíam. O novo é um ecossistema de engajamento. Agora, os fãs podem:
- Jogar com outros fãs dentro do próprio aplicativo.
- Ler resumos das corridas escritos por IA, instantâneos e personalizados.
- Acessar histórias exclusivas dos bastidores da equipe e dos pilotos.
- Fazer previsões sobre os resultados.
- Conversar com um assistente de IA para tirar dúvidas sobre a equipe, os carros e as regras.
“Existem dois pilotos, mas você sabia que são necessárias 24 pessoas trabalhando simultaneamente em dois segundos para trocar um pneu?”, exemplificou Stanhouse, mostrando como o storytelling aproxima os fãs da equipe.
Resultados que falam por si
Os números não mentem. Desde que a IBM entrou em cena, o engajamento no aplicativo disparou. O aumento foi de 62% durante os finais de semana de corrida. A Ferrari agora usa a IA para analisar os sinais de engajamento, como quais conteúdos as pessoas mais leem e o sentimento das mensagens que enviam.
“Isso nos ajuda a entender o que mais ressoa com a Tifosi [apelido dos fãs da Ferrari] e informa diretamente como moldamos nossa narrativa e entregamos conteúdo”, afirmou Pallard.
Um novo público, uma nova estratégia
A base de fãs da F1 mudou drasticamente. Dados da F1 mostram que 75% dos novos fãs são mulheres, muitas delas da Geração Z. Um dos grandes atrativos é a F1 Academy, uma série de corridas exclusivamente feminina. Mas esses novos fãs, assim como os antigos, querem mais.
“Eles estão pedindo mais dados, mais insights, mais recursos, e temos que ser capazes de entregar isso”, disse Pallard. “Com a IBM, a visão para os próximos cinco anos é fazer com que cada fã sinta que a experiência foi construída para ele, esteja conosco há 30 anos ou 30 dias. É assim que se constrói uma lealdade que dura.”
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