O governo do Irã afirmou nesta sexta-feira (17) que pode voltar a fechar o Estreito de Ormuz se os Estados Unidos mantiverem o bloqueio naval na região. A ameaça foi divulgada pela agência de notícias iraniana Fars e ocorre no contexto de um cessar-fogo vigente entre Líbano e Israel.
No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, anunciou a reabertura temporária da passagem marítima, válida até 22 de abril. A medida está vinculada ao período de trégua no conflito entre Líbano e Israel, que foi mediado pelo Paquistão.
Acordo frágil e condições iranianas
O acordo de cessar-fogo previa uma liberação controlada do tráfego no estreito, mas sofreu interrupções após não ser aceito por grupos como o Hezbollah e por Israel. Diante do descumprimento e da não inclusão do Líbano no entendimento, o Irã suspendeu temporariamente a liberação do tráfego.
Segundo a Fars, o Irã estabeleceu três exigências para permitir a passagem de navios. A primeira proíbe a circulação de embarcações militares, permitindo apenas navios comerciais. Também são barrados navios ou mercadorias ligadas aos países envolvidos no conflito libanês.
A segunda regra determina que os navios devem seguir rotas predefinidas pelo Irã, sem liberdade de escolha. A terceira condição exige que toda a travessia seja acompanhada e autorizada pelas forças iranianas que controlam a área – um tipo de controle que, de acordo com a agência, já havia sido reconhecido anteriormente por autoridades militares dos EUA.
Reação internacional e importância estratégica
Pouco após o anúncio de Araqchi, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou o tema em suas redes sociais. Ele afirmou que o Irã informou sobre a abertura do Estreito de Ormuz para navegação e agradeceu pela liberação.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais críticas para o transporte global de petróleo. Cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo passa por ali, o que representa aproximadamente 20 milhões de barris por dia.
Países como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque dependem dessa passagem para exportar seu petróleo, principalmente para nações asiáticas.
Impacto nos mercados e próximos passos
Com a reabertura anunciada, o preço do petróleo caiu 10% nesta sexta-feira (17). A situação permanece volátil, com a janela de navegação garantida apenas até o fim do período de cessar-fogo em 22 de abril, sujeita ao cumprimento das condições impostas por Teerã e à postura dos Estados Unidos.