Flávio Bolsonaro usa acordo com EUA para se cacifar, mas esconde elos com crime organizado
Senador aposta em pauta de segurança para 2026, enquanto sua trajetória expõe contradições sobre combate ao crime
Você já parou para pensar em como um político pode surfar numa onda de segurança pública enquanto, nos bastidores, sua própria história guarda conexões incômodas com o crime organizado? Pois é exatamente isso que está em jogo agora.
Flávio Bolsonaro (PL) voltou dos Estados Unidos com um trunfo na bagagem: um acordo para classificar facções criminosas como terroristas. Para quem acompanha de longe, a jogada parece perfeita — e cacifa o senador como o grande nome da oposição para 2026.
Mas será que a conta fecha? A segurança pública é um dos itens que mais afligem os brasileiros, e combater o crime organizado virou prioridade nacional. Para um candidato desafiante, é fácil colar no governo atual a pecha de mãos moles diante da violência. Só que a história é mais complexa do que o discurso de palanque sugere.
O problema de classificar facções como terroristas
Basta lembrar de um detalhe incômodo: as duas maiores facções do país — PCC e Comando Vermelho — atuam em estados governados por bolsonaristas. São Paulo, de Tarcísio de Freitas, e o Rio de Janeiro, até outro dia sob o comando de Claudio Castro.
O problema é que essa classificação não resolve a segurança pública e ainda cria um outro problema grave. Olhe para o Líbano: quando uma potência militar lança bombas por lá sob o pretexto de atacar o Hezbollah, quem sofre é a população civil. O mesmo vale para o Brasil, com riscos de intervenções desastradas.
O que Flávio não contou na viagem
Em sua missão diplomática, o senador provavelmente omitiu alguns detalhes constrangedores. Não falou das conexões de sua família com milicianos empregados em seu gabinete na Alerj. Nem da aliança, no Rio, para eleger um suspeito de vazar investigações policiais para um elo do Comando Vermelho no Legislativo fluminense. E muito menos do pedido de dinheiro a um banqueiro suspeito de lavar dinheiro para o crime organizado.
Dito isso, o risco não é apenas político. A ofensiva norte-americana já está provocando prejuízos econômicos reais para quem não tem nada a ver com a briga.
O estrago nos negócios brasileiros
O anúncio, por si só, aumenta a régua do risco de se investir no Brasil. Seguradoras, bancos e empresas em setores vulneráveis à infiltração do crime organizado — como a distribuição de combustíveis — já estão fazendo as contas dos estragos.
O risco reputacional é outra paulada. A imagem do ambiente de negócios brasileiro já está na agenda de negociações comerciais. E a tendência é piorar à medida que as sanções forem aplicadas. Se a ideia é combater a circulação do dinheiro do crime, até o Pix pode entrar na mira.
Agora, as empresas nacionais precisarão provar o tempo todo que desconhecem eventuais vínculos com facções criminosas. E terão de documentar rigidamente seus mecanismos de controle à lavagem de dinheiro. Nem todos têm estrutura para isso.
O herói sem capa que pede dinheiro para bandido
Flávio jura que será recebido como o herói que combate o crime. Mas a realidade é torcida e retorcida: ele não pensou duas vezes antes de prejudicar o país para mostrar que tem costas largas, virar a página do Bolsomaster e tirar o pai da cadeia — tudo enquanto jura de pé junto que se preocupa com a segurança nacional. Tem quem acredite.
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