O chefe do programa nuclear do Irã, Mohammad Eslami, afirmou nesta quinta-feira (9) que o país não interromperá o enriquecimento de urânio. A declaração, reportada pela agência estatal Isna, contradiz diretamente uma das principais exigências do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para um acordo de paz.
O enriquecimento de urânio é um processo fundamental para a produção de armas nucleares e constitui o principal ponto de discórdia entre Washington e Teerã. Enquanto a Casa Branca acusa o Irã de buscar armamento nuclear, o regime iraniano sustenta que seu programa tem fins exclusivamente pacíficos.
Declaração desafia "linha vermelha" de Trump
Em sua declaração, Eslami foi enfático: "Ninguém vai impedir o programa de enriquecimento do país". A fala ocorre um dia após Donald Trump ter afirmado, na quarta-feira (8), que o Irã não continuaria com a atividade após o conflito no Oriente Médio.
Trump considera o enriquecimento uma "linha vermelha" e já ameaçou o Irã com ataques "maiores e mais fortes" caso suas demandas não sejam atendidas. O presidente americano também estuda a remoção do material enriquecido do território iraniano.
Negociações de paz em meio a tensão crescente
O impasse nuclear surge em um momento de frágil trégua na região. As negociações para um fim definitivo da guerra devem ser retomadas nesta sexta-feira (10), em Islamabad, capital do Paquistão, com a participação esperada de Israel.
Em publicação na rede Truth Social, Donald Trump elevou o tom novamente, afirmando que as forças americanas permanecerão mobilizadas e que os EUA podem "retomar os ataques em escala ainda maior" se o acordo não avançar, conforme reportado pelo The New York Times.
O cenário permanece instável, com o governo iraniano insistindo em seu direito ao enriquecimento de urânio e a administração Trump mantendo sua postura de máxima pressão, o que coloca em risco o frágil processo de paz em andamento.