A engenheira de mineração Sarah Hayles, 44 anos, convive há 16 anos com uma lesão ocular decorrente de uma cirurgia de rotina que mudou permanentemente sua aparência e sua vida. Em agosto de 2008, aos 26 anos, ela se submeteu à remoção de um pterígio – um crescimento não canceroso no olho conhecido como "olho de surfista" – em um procedimento considerado simples.
Ao acordar da anestesia, Hayles percebeu imediatamente que algo estava errado, sentindo dor intensa e um amortecimento na região. Nos meses seguintes, sua pálpebra começou a cair e o olho afetado começou a desviar. A busca por um diagnóstico se estendeu por anos, incluindo consultas com um especialista em Brisbane, a 600 milhas de sua casa no interior da Austrália, que chegou a suspeitar de tumores cerebrais ou esclerose múltipla.
Jornada de exames sem diagnóstico
Após dois anos de investigação, incluindo ressonância magnética e punção lombar para análise do líquido cefalorraquidiano, nenhuma causa definitiva foi encontrada. "Fui cutucada e espetada por médicos e consultores que realizaram todos os exames possíveis", relatou Hayles em entrevista ao Business Insider. Alguns testes foram traumáticos, como a aplicação de choques elétricos para verificar danos nos nervos.
A deterioração progressiva da aparência de seu olho afetou profundamente sua autoestima. Hayles evitava ser fotografada e acreditava que ninguém iria querer namorá-la ou casar com ela. O impacto psicológico foi significativo, levando-a a reconsiderar até mesmo seu desejo de ter filhos, com medo de como eles lidariam com o olhar de outras pessoas.
Ponto de virada e reconstrução
Em 2013, um encontro com um médico mais velho e compreensivo marcou o início de sua recuperação emocional. "Ele disse que eu era bonita, saudável e forte, e que precisava encontrar uma maneira de ficar bem com isso", contou Hayles. Esse conselho a levou a encerrar a busca incessante por um diagnóstico e a focar em sua recuperação psicológica.
Sem psicoterapia formal, Hayles fez sua própria pesquisa, lendo livros sobre mentalidade positiva. Esse processo gradual a ajudou a recuperar a confiança. Em 2015, conheceu Brian, 45 anos, mecânico de diesel, através de amigos em comum no Facebook. O romance foi intenso, resultando em noivado e casamento em menos de um ano.
"Nosso relacionamento me ensinou muito. Focar na aparência é besteira. Se você fizer isso, pode facilmente perder a pessoa interior", afirmou Hayles sobre a experiência.
Família e legado de resiliência
O casal teve dois filhos: Jack, de 8 anos, e Astrid, de 6. Hayles, que antes temia a maternidade por causa de sua condição, agora vê os filhos como uma bênção e uma oportunidade para ensinar sobre aceitação. "Criei eles para não julgar as pessoas pela aparência. 'É tudo sobre como alguém se comporta e como te faz sentir', eu digo", explicou.
Atualmente, Hayles se dedica a palestras sobre resiliência e como recuperou sua confiança. Ela também mantém uma conta no Instagram para ajudar a normalizar condições como a sua, oferecendo apoio a outras pessoas que enfrentam desafios semelhantes.
"Sei que poderia ter permitido que essa lesão facial fosse algo terrível que arruinasse minha vida, ou transformá-la em algo positivo. Fico feliz por ter escolhido a última opção", concluiu Hayles, refletindo sobre os 16 anos de convivência com sua condição não diagnosticada.