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Três dias. Foi o tempo que separou a ordem de prisão de Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, e o momento em que ela cruzou a porta da 34ª DP, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. A entrega aconteceu nesta segunda-feira (20), mas a história por trás dessas 72 horas é o que revela a tensão judicial que ainda cerca um dos casos mais chocantes do país.

Por que a espera? A resposta está no Supremo Tribunal Federal. Na sexta-feira (17), o ministro Gilmar Mendes determinou a prisão preventiva da professora. No sábado (18), ele rejeitou o recurso da defesa. Sem mais alternativas legais imediatas, o caminho que restou foi a entrega voluntária à Polícia Civil.

Uma prisão, duas solturas e a decisão que mudou tudo

A trajetória de Monique no caso é marcada por idas e vindas. Ela e o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, estavam presos desde abril de 2021. A acusação do Ministério Público é grave: ele por homicídio qualificado, ela por homicídio por omissão de socorro.

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No entanto, durante o julgamento, um movimento da defesa de Jairinho – o abandono dos debates – manteve o padrasto atrás das grades. Monique, por sua vez, foi solta na mesma noite para cumprir medidas cautelares. Até que a decisão de Gilmar Mendes, na última sexta-feira, reescreveu esse capítulo.

Da versão do acidente à cruel realidade das agressões

A comoção nacional começou na madrugada de 8 de março de 2021, no apartamento da família na Barra da Tijuca. A primeira versão? Um trágico acidente doméstico. A verdade, contada pelo laudo do Instituto Médico-Legal e pelas investigações da Polícia Civil, foi muito mais cruel.

Henry não sofreu um único golpe do destino. Ele foi vítima de múltiplas lesões por ação violenta. As investigações apontaram para agressões recorrentes e, o dado mais devastador: a mãe teria pleno conhecimento de tudo que o filho passava.

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O que acontece agora com os réus?

Com a entrega, Monique Medeiros volta ao sistema prisional. Jairinho permanece preso. O caso, que expôs feridas profundas sobre violência infantil e responsabilidade, agora aguarda os próximos passos do judiciário.

Mais do que um desfecho processual, a sociedade acompanha um drama que força uma reflexão incômoda: até onde vai o dever de proteger uma criança? A resposta, para a Justiça, está sendo escrita a cada nova decisão neste processo que já dura cinco anos e ainda não encontrou seu veredito final.