Milícia Bolivariana se mobiliza após ataques em Caracas e intensifica papel na defesa venezuelana
Grupo paramilitar oficial, com 4,5 milhões de voluntários segundo governo, é treinado para transformar ruas em zonas de conflito.
A Milícia Nacional Bolivariana foi acionada nas ruas da capital venezuelana, Caracas, após uma série de ataques ocorridos na madrugada deste sábado (03). A força, fundada oficialmente em 2005 pelo então presidente Hugo Chávez, integra as Forças Armadas da Venezuela desde 2020 e opera com uma doutrina de "Guerra de Todo o Povo".
Segundo o presidente Nicolás Maduro, a mobilização conta com 4,5 milhões de voluntários, número contestado por analistas militares que apontam gargalos logísticos. A escalada de tensões com os Estados Unidos, que atacou navios venezuelanos no final de 2025, levou o governo a intensificar a propaganda e o incentivo ao grupo.
Origem e evolução de uma força constitucional
Criada inicialmente como Reserva Militar y Movilización Nacional, a organização só adotou o nome atual em 2009. Seu site oficial traça uma linha histórica que remonta aos tempos coloniais, quando os espanhóis usavam milícias para defender seus interesses. Após a morte de Chávez em 2013, Maduro ampliou o papel da milícia, que se tornou a quinta força armada do país sete anos depois.
Diferentemente das milícias criminosas brasileiras, a Milícia Bolivariana é uma instituição pública e constitucional, integrada à cadeia de comando oficial. A palavra "milícia" deriva do latim "militia" e se refere a uma força auxiliar composta por cidadãos.
Treinamento, armamento e doutrina de guerra assimétrica
Os integrantes, que se alistam voluntariamente – a maioria aposentados e servidores públicos –, recebem treinamento para defesa pessoal e do território. Eles aprendem a operar desde armas modernas, como o fuzil russo AK-103, até equipamentos da Segunda Guerra Mundial, como o Mosin-Nagant de 1891. Alguns são selecionados para operar sistemas antiaéreos.
A doutrina militar, inspirada em experiências do Vietnã e de Cuba, prevê que, se o exército regular for derrotado, a população armada engajará o invasor em uma guerra de guerrilha urbana. "A ideia é transformar cada rua de Caracas em uma zona de conflito", descreve a estratégia.
Questionamentos sobre a função real do grupo
Analistas internacionais questionam se a milícia serve apenas para defesa nacional ou se é um instrumento de controle social do governo. Apesar dos números oficiais de voluntários, especialistas apontam a falta crônica de munição como um limitador real de sua capacidade, mesmo após a instalação de uma fábrica russa no país em julho de 2025.
O fortalecimento da milícia ocorre em um contexto de pressão internacional crescente e crise humanitária interna, com Maduro utilizando o grupo como um pilar de sua retórica de soberania e resistência.
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