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Moradores de periferias enfrentam duplo estigma no tratamento da depressão

Moradores de periferias enfrentam duplo estigma no tratamento da depressão

Falta de acesso a profissionais especializados e preconceito social agravam quadros depressivos em comunidades carentes.

Redação
Redação

30 de dezembro de 2025 ·
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Andressa Duvique, de 21 anos, moradora de Guaianases, na zona leste de São Paulo, enfrenta o duplo desafio de lidar com a depressão enquanto lida com o estigma social por viver na periferia. Em sua comunidade, questões de saúde mental são frequentemente minimizadas ou incompreendidas, criando uma barreira adicional para quem precisa de ajuda.

A jovem relata que, ao confessar sua condição a uma conhecida da igreja, ouviu que se tratava de "frescura" e que bastava orar para resolver o problema. Este caso ilustra um problema mais amplo nas periferias brasileiras, onde a falta de compreensão sobre saúde mental se soma à pressão econômica constante vivida pelos moradores.

Pressão social e obstáculos práticos

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“Nas periferias existe uma pressão adicional”, explica Andressa Duvique. “As pessoas acham que quem é pobre não pode se dar ao luxo de ficar deprimido, que não temos tempo para isso porque precisamos trabalhar para sobreviver.” Esta mentalidade, segundo ela, cria um obstáculo extra para buscar tratamento profissional.

Além do preconceito, os moradores enfrentam barreiras concretas para acessar cuidados. A escassez de psicólogos e psiquiatras na rede pública, combinada com a impossibilidade financeira de custear tratamentos particulares, deixa uma grande parcela da população sem assistência adequada.

Fatores agravantes e iniciativas comunitárias

A depressão nas periferias apresenta características específicas, frequentemente intensificadas pela exposição constante à violência, desemprego, condições precárias de moradia e falta de perspectivas. Jovens crescem em ambientes de estresse constante e oportunidades limitadas, um terreno fértil para problemas de saúde mental.

Apesar das dificuldades, as comunidades desenvolvem estratégias próprias de apoio. Grupos de mulheres, coletivos culturais e organizações comunitárias criam redes de suporte que, mesmo sem formação específica, oferecem acolhimento e escuta para os moradores.

Falta de estrutura pública e futuro

Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) para casos de saúde mental, existem, mas são insuficientes para atender a demanda. Muitas vezes, o longo tempo de espera faz com que as pessoas desistam do atendimento ou busquem alternativas inadequadas.

Especialistas apontam que a situação demonstra a necessidade urgente de políticas públicas de saúde mental que considerem as especificidades das periferias. Investimentos em capacitação comunitária e descentralização do atendimento são apontados como caminhos para reduzir o abismo no acesso aos cuidados.

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