O alarmante impacto dos microplásticos no 'pulmão' dos oceanos que você precisa conhecer

O alarmante impacto dos microplásticos no 'pulmão' dos oceanos que você precisa conhecer

Estudo revela como partículas minúsculas de plástico podem reduzir a capacidade dos mares de absorver CO² e produzir oxigênio.

Redação
Redação

24 de maio de 2026

Você sabia que os oceanos são responsáveis por quase metade de todo o oxigênio que respiramos? Pois é, enquanto a gente pensa em florestas, são as microalgas marinhas que fazem um trabalho gigantesco e silencioso. Mas um estudo recente acendeu um alerta: os microplásticos estão ameaçando esse sistema vital.

Pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU) descobriram que essas partículas minúsculas, espalhadas pelos mares, podem prejudicar o crescimento das microalgas responsáveis por grande parte da produção de oxigênio e absorção de CO². O resultado? A capacidade dos oceanos de funcionar como um verdadeiro 'pulmão' do planeta está em risco.

O que são essas microalgas e por que elas são tão importantes?

Essas microalgas, chamadas de fitoplâncton, são organismos minúsculos que vivem nas partes mais iluminadas da água. Elas usam luz solar, água e gás carbônico para produzir energia e oxigênio – exatamente como as plantas. E o mais impressionante: elas ajudam os oceanos a retirar da atmosfera entre 25% e 30% de todo o CO² liberado pelas atividades humanas.

Ou seja, sem elas, o aquecimento global seria ainda mais acelerado. Mas os microplásticos estão atrapalhando esse processo de várias maneiras, inclusive liberando substâncias tóxicas que dificultam a fotossíntese e reduzem o crescimento das algas.

Onde o impacto é mais forte?

Os cientistas reuniram dados de diferentes regiões do planeta e fizeram testes de laboratório. A conclusão? Os maiores efeitos foram observados em regiões tropicais e áreas mais secas, justamente locais onde os oceanos costumam absorver grandes quantidades de carbono. E os números são assustadores: os microplásticos poderiam reduzir a absorção anual de carbono em cerca de 25 mil toneladas nas áreas áridas e em aproximadamente 48 mil toneladas nas regiões tropicais.

Para você ter uma ideia, isso equivale ao carbono absorvido por uma pequena floresta inteira. E o pior: em 2020, os microplásticos podem ter impedido que cerca de 75 mil toneladas de CO² fossem absorvidas pelos mares.

O prejuízo econômico também é real

Os pesquisadores não mediram apenas o impacto ambiental. Eles calcularam que o prejuízo econômico dessa redução na absorção de carbono foi de cerca de US$ 5,5 milhões (aproximadamente R$ 27,7 milhões na cotação atual). É a primeira pesquisa a tentar medir, em escala global, como os microplásticos afetam a capacidade dos oceanos de armazenar carbono.

Mas calma: os pesquisadores destacam que esses números ainda representam uma pequena parte do total absorvido pelos oceanos todos os anos, estimado em cerca de duas bilhões de toneladas. Ainda assim, o alerta está dado. Cada partícula de plástico que vai parar no mar não está apenas poluindo; está literalmente sufocando o pulmão do planeta.

E agora, a pergunta que fica: o que podemos fazer para evitar que esse problema cresça? A resposta começa com a conscientização e com a redução do uso de plásticos descartáveis. Porque, no fim das contas, a saúde dos oceanos é a nossa própria saúde.

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