Você já ouviu falar em “tokenmaxxing”? Se ainda não, prepare-se: essa prática está virando um pesadelo silencioso em várias empresas de tecnologia. E, segundo o CTO da Legora, Jacob Lauritzen, ela é “realmente estúpida”.
Em um episódio recente do podcast “20VC”, Lauritzen foi direto ao ponto: “Muitas pessoas, por exemplo, criam um ranking e usam o consumo de tokens nas avaliações de desempenho. Isso leva ao tokenmaxxing, onde as pessoas queimam tokens só para parecer bem.” E completou: “Essa é uma maneira realmente estúpida de fazer qualquer coisa.”
O que é tokenmaxxing e por que isso virou um problema?
Tokenmaxxing é o nome dado ao uso excessivo e desenfreado de ferramentas de inteligência artificial — como Claude, Codex e Cursor — com um único objetivo: inflar métricas de uso e subir em dashboards internos de produtividade. Parece inofensivo? Não é.
Lauritzen, que entrou na startup jurídica de IA em 2024, argumenta que há maneiras muito mais inteligentes de incentivar o uso da tecnologia. Para ele, o foco deveria estar em resultados reais, não no volume de tokens gastos. “Recompense as pessoas por serem eficazes e eficientes, por terem mais produção — não por usarem IA”, disse.
O outro lado da moeda: o custo da ineficiência
Mas calma: isso não significa que as empresas devem ignorar a IA. Pelo contrário. O executivo destacou que empresas em rápido crescimento como a Legora têm muito a perder quando não usam inteligência artificial. “Vale a pena gastarmos uma tonelada de tokens para descobrir se isso nos dá 20% de eficiência? Sim, porque temos um custo de oportunidade altíssimo”, explicou.
O problema, segundo ele, está na métrica errada. Em vez de medir tokens, as empresas deveriam promover hack days ou demonstrações onde os funcionários mostrem o que estão construindo e os ganhos reais de eficiência que conquistaram.
De tokenmaxxing a token capping: a virada no mercado
Os comentários de Lauritzen chegam em um momento crucial para a indústria de tecnologia, que está migrando do “tokenmaxxing” para o “token capping” — ou seja, o limite de gastos com tokens. E não é só discurso: as empresas já estão agindo.
Na semana passada, a Uber anunciou que limitou todos os funcionários a US$ 1.500 mensais por ferramenta de IA, depois de estourar o orçamento de IA no início do ano. No mês passado, o Financial Times reportou que a Amazon fechou um dashboard interno que monitorava o uso de IA, após alguns funcionários realizarem tarefas apenas para subir no ranking.
Um porta-voz da Amazon disse ao Business Insider que o painel “nunca teve a intenção de promover o uso de IA pelo uso em si”.
“Você não precisa de uma Ferrari para ir ao supermercado”
Na conferência da Bloomberg na semana passada, Andrew Feldman, CEO da Cerebras Systems, foi ainda mais duro. Ele classificou a ideia de dar tokens ilimitados aos funcionários como “idiota desde o início”. “Você não precisa de uma Ferrari para ir ao supermercado, certo? Use um modelo de código aberto de menor custo”, disse Feldman, comparando a eficiência com tokens a “aprender a fazer compras no Costco”.
A mensagem é clara: o tempo de queimar tokens para aparecer já era. O futuro da produtividade com IA está na eficiência, no resultado e na inteligência de uso — não no volume. E você, já está repensando suas métricas?
Deixe seu Comentário
0 Comentários