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O plano chocante do DHS que pode paralisar voos internacionais nos EUA

O plano chocante do DHS que pode paralisar voos internacionais nos EUA

Retirada de agentes alfandegários de aeroportos em cidades santuário pode gerar caos aéreo e afetar milhões de passageiros

Redação
Redação

29 de maio de 2026 ·

Imagine chegar ao aeroporto para um voo internacional e descobrir que ele simplesmente não vai acontecer. Parece cenário de filme? Pois é exatamente o que especialistas em aviação estão prevendo se o Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS) seguir adiante com uma ameaça que promete virar o transporte aéreo global de cabeça para baixo.

O gatilho que pode explodir o sistema

O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, está ameaçando remover agentes da alfândega dos principais aeroportos localizados em cidades santuário — aquelas que limitam a cooperação com a imigração federal. E o impacto, segundo especialistas, seria muito pior do que as longas filas do TSA.

“Isso teria um efeito devastador na indústria aérea e no turismo”, alertou a Airlines for America, associação que representa gigantes como American Airlines, United e Delta. O grupo já se posicionou contra a medida, que consideram “impraticável e perigosa”.

O caso que mostra o tamanho do problema

Pegue um voo como exemplo: o American Airlines 101, que sai de Londres-Heathrow todo dia às 10h30 e pousa no JFK, em Nova York, às 13h20. Agora multiplique esse drama por milhares de voos diários que passam por portões como JFK, LAX e Newark.

O consultor de aviação Richard Aboulafia, da AeroDynamic Advisory, explicou o nó lógico da questão: “As pessoas passam pela alfândega no ponto de entrada, não necessariamente no destino final. Bater em pontos de entrada em estados azuis achando que não vai afetar negócios em estados vermelhos é extremamente tolo.”

O argumento que divide o governo

Mullin defende a medida como necessária para proteger o país. “Se são cidades santuário e recebem voos internacionais, mas não querem aplicar a lei de imigração depois que as pessoas saem do aeroporto, talvez precisemos repensar isso”, disse ele em abril.

Mas o próprio secretário de Transporte de Donald Trump, Sean Duffy, chamou a ideia de “uma péssima ideia” durante uma audiência no Congresso. “Restringir viagens com base em visões políticas é um erro”, disparou.

O pesadelo logístico que ninguém calculou

E não é só questão de política. A logística é um monstro. O Aeroporto JFK, em Nova York, processa sozinho cerca de 34 milhões de passageiros internacionais por ano — mais do que qualquer aeroporto substituto conseguiria absorver de uma hora para outra.

Muitos aeroportos em cidades não-santuário são pequenos demais, antigos demais ou já operam no limite. Expandir terminais, portões e alfândegas levaria anos e custaria bilhões. Voos de Sydney ou Tóquio, por exemplo, não conseguiriam simplesmente desviar para aeroportos no interior sem custos proibitivos de combustível.

O que realmente está em jogo

A Associação de Viagens dos EUA alerta que a medida afetaria mais os cidadãos americanos voltando para casa do que os turistas estrangeiros. Henry Harteveldt, analista de viagens, foi direto: “O secretário precisa lembrar que, independentemente de onde um hub está localizado, ele atende viajantes de estados vermelhos e azuis, de cidades santuário e não-santuário.”

Enquanto o DHS não detalha seu plano, uma coisa é certa: a ameaça já está causando calafrios em toda a indústria aérea. E se for levada adiante, o caos prometido pode tornar as famosas filas do TSA uma lembrança quase agradável.

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