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Você já parou para pensar como uma passagem marítima pode virar um barril de pólvora? Enquanto o presidente Donald Trump minimiza a situação no estreito de Ormuz, a realidade no local é brutalmente diferente. E quem avisa é um brasileiro que conhece o Irã por dentro: o ex-embaixador Cesário Melantonio Neto.

O que realmente está acontecendo em Ormuz?

Para começar, a navegação por ali não é apenas restrita – ela está perigosamente incerta. As empresas de transporte marítimo estão com medo de enviar seus navios, e com razão. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, já disparou nas redes sociais: o cessar-fogo não está sendo respeitado e a data de expiração do acordo, dia 22, pode trazer um novo colapso.

Mas o pior veio depois. Os iranianos estabeleceram uma rota alternativa, ao largo da ilha de Larak, que só pode ser usada mediante autorização da Guarda Revolucionária – e, segundo fontes, com um pagamento nada simbólico de US$ 2 milhões por navio. Isso mesmo: para atravessar, você precisa pagar um pedágio que vale uma fortuna.

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Minas navais à deriva: ninguém sabe onde estão

Se você acha que o problema é só financeiro, se engana. O Irã colocou minas navais de forma errática, e hoje ninguém sabe exatamente onde elas estão. Os militares americanos e iranianos não têm meios para desativá-las ou retirá-las rapidamente. É um campo minado literal – e sem mapa.

Richard Meade, editor-chefe da Lloyds List, o jornal mais respeitado do setor marítimo, foi direto: "Um acordo sobre Ormuz não oferece, de imediato, clareza suficiente para que alguém tome decisões definitivas." Ou seja, a incerteza é a única certeza.

O colapso do tráfego: 90% a menos de navios

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Os números são estarrecedores. Desde março, o tráfego marítimo na região despencou 90%. E não são poucas embarcações: cerca de 2 mil navios com 20 mil tripulantes estão parados nos arredores de Ormuz, esperando uma solução que não vem.

O ex-embaixador Cesário Melantonio Neto, que serviu no Irã, Turquia e outros países, testemunhou de perto o medo dos armadores gregos em uma reunião em Atenas. Ninguém quer arriscar um ataque. E o seguro? Exorbitante. As companhias seguradoras não têm pressa para aceitar novos contratos ou reduzir os valores.

E agora? O que esperar do futuro?

As negociações diplomáticas em Islamabad estão travadas. Os ataques militares mútuos entre Irã e EUA continuam. E, enquanto isso, o mundo depende de um dos gargalos mais estratégicos do planeta para o petróleo e o comércio global. A pergunta que fica é: quanto tempo mais vamos conseguir ignorar essa bomba-relógio?

Uma coisa é certa: as declarações de Trump não refletem o cenário real. E quem paga o preço são os navios, os tripulantes e, no fim das contas, todos nós.