O verdadeiro motivo pelo qual a Deloitte não usa IA para criar vídeos (e o que ela usa no lugar)
CMO da gigante revela o segredo por trás da autenticidade que gera confiança e os 3 pilares dos patrocínios esportivos.
Você já parou para pensar no que realmente importa quando uma empresa decide patrocinar um grande evento esportivo? Enquanto o mercado inteiro corre para abraçar a inteligência artificial, o CMO da Deloitte, Scott Mager, acaba de soltar uma bomba: a empresa está pisando no freio com a IA em um ponto crucial.
Em uma entrevista reveladora ao Business Insider, Mager explicou por que a gigante de consultoria prefere pessoas reais a vídeos gerados por inteligência artificial. A resposta pode mudar a forma como você vê o marketing moderno.
O dilema que ninguém quer encarar
Mager não é um CMO tradicional. Com mais de 14 anos liderando a área de publicidade e marketing digital da Deloitte, ele assumiu o posto máximo em 2022 com uma visão clara: o papel do CMO está migrando do "brand" para o "growth". Tudo o que o marketing faz precisa ajudar o negócio a crescer.
E é aí que a IA entra — e também sai de cena. A Deloitte usa inteligência artificial para criar elementos de design, como os círculos que fazem parte da identidade visual da marca, e para acelerar processos internos. "Isso dá aos nossos profissionais mais tempo para pensar de forma criativa e estratégica", disse Mager.
Mas quando o assunto é vídeo, a história muda completamente.
"Não queremos arriscar a confiança"
"Somos uma organização que vive de credibilidade, relacionamentos e confiança", disparou Mager. "Só não temos certeza se o uso de vídeos gerados por IA transmite essa confiança." A frase ecoa como um alerta em um mercado obcecado por novidades tecnológicas.
A solução? Autenticidade brutal. Em vez de avatares digitais, a Deloitte prefere colocar na frente das câmeras seus próprios profissionais, parceiros e clientes. "Há uma autenticidade nisso que a IA não consegue substituir", completou o executivo.
Os 3 pilares secretos dos patrocínios esportivos
E não para por aí. Mager revelou a fórmula que a Deloitte usa para transformar patrocínios esportivos em máquinas de resultados. São três fatores críticos:
1. Marca: O evento ajuda a marca a alcançar o público certo?
2. Storytelling: O trabalho realizado gerou um impacto real? E, mais importante, essa história consegue explicar para empresas de outros setores o que a Deloitte faz?
3. Hospitalidade: O fundo do funil. Colocar parceiros e diretores na mesma sala que clientes e futuros clientes. Conexão humana, de novo.
O exemplo mais poderoso é o trabalho com as Olimpíadas. A Deloitte construiu mais de 18 aplicações para o evento, gerenciando desde a venda de ingressos até a cibersegurança. "É o equivalente a operar quase oito Super Bowls por dia, durante três semanas", revelou Mager.
Traduzindo: se você quer provar que entende de tecnologia, contar a história de como sustentou tecnicamente o maior evento do planeta é um trunfo que nenhuma IA generativa pode fabricar.
A lição final é clara: em um mundo cada vez mais artificial, o diferencial competitivo pode ser, paradoxalmente, o que há de mais humano. A confiança não se automatiza.
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