Startup sul-coreana que lançou foguete "de casa" levanta US$ 24 milhões e já mira voo orbital
Conheça a Unastella, que construiu e lançou seu próprio veículo espacial em solo coreano e quer quebrar o domínio de EUA e China.
Imagine só: você monta uma empresa de foguetes, constrói tudo na sua garagem (ou quase) e, em menos de cinco anos, lança um veículo espacial do seu próprio país. Parece roteiro de filme, mas é exatamente o que a Unastella, uma startup sul-coreana de apenas 22 funcionários, acaba de fazer.
A jovem empresa fechou uma rodada Série B de US$ 24 milhões, elevando seu financiamento total para US$ 44 milhões. O dinheiro veio de investidores de peso como Altos Ventures e Korea Development Bank. Mas o que realmente chama a atenção não é o cheque, e sim o que eles já fizeram com ele: em maio de 2025, a Unastella lançou seu próprio foguete, o Una Express-I, diretamente do solo sul-coreano.
O segredo do motor que pode mudar o jogo
Enquanto gigantes como SpaceX dominam as manchetes com foguetes reutilizáveis, a Unastella apostou em uma estratégia ousada e, ao mesmo tempo, mais simples. Eles usam um sistema de propulsão a querosene e oxigênio líquido – a mesma combinação testada e aprovada dos foguetes Falcon, da SpaceX. A diferença está no coração da máquina.
A startup trocou a turbobomba tradicional por uma bomba elétrica. É um componente mais pesado, o que reduz a capacidade de carga de satélites. Mas, para o CEO e fundador Jae Park, isso foi uma escolha deliberada. "Não somos um grupo de P&D tentando construir o foguete mais impressionante. Somos uma empresa comercial tentando chegar ao mercado rápido", disse Park ao TechCrunch.
Essa filosofia "menos é mais" permitiu que a empresa mantivesse tudo internamente: design, fabricação, operações de solo e análise de dados de voo. O lançamento do Una Express-I foi o primeiro teste real de todo o sistema, do começo ao fim. E deu certo.
De engenheiro da Coreia à sua própria startup
Jae Park não é um novato qualquer. Ele passou a carreira inteira trabalhando em motores de foguete. Antes de fundar a Unastella, ele trabalhou nos sistemas de combustão do foguete Nuri – o primeiro veículo de lançamento orbital desenvolvido pela Coreia do Sul. Depois, foi para o Centro Aeroespacial Alemão, em Berlim, trabalhar em motores europeus.
A experiência acumulada o levou a um objetivo claro: chegar ao espaço comercialmente antes dos concorrentes locais. E a corrida está esquentando. A Coreia do Sul está montando sua própria constelação de startups espaciais. A gigante Hanwha Aerospace assumiu o controle do foguete Nuri. Outras startups, como Innospace e Perigee Aerospace, também estão na disputa. Mas nenhuma ainda conseguiu um lançamento orbital comercial.
O grande salto: UNA EXPRESS-II
O verdadeiro divisor de águas, no entanto, ainda está por vir. O lançamento que realmente importa para Park é o UNA EXPRESS-II, previsto para o final deste ano. Alcançar a altitude de 100 quilômetros – a linha de Kármán, considerada a fronteira do espaço – é o marco que ele acredita que abrirá as portas para parcerias com as maiores empresas de defesa e aeroespacial da Coreia.
"Já construímos a base e desenvolvemos relacionamentos institucionais", afirmou Park. A agência espacial nacional da Coreia já voou componentes no Una Express-I, e o Instituto de Pesquisa Aeroespacial da Coreia transferiu a tecnologia de bomba elétrica para a empresa.
Um mercado de US$ 41 bilhões no horizonte
A Unastella está surfando uma onda gigante. O mercado global de lançamentos espaciais valia cerca de US$ 15 bilhões em 2023 e deve quase triplicar para US$ 41 bilhões até 2030. Para se ter uma ideia, o governo sul-coreano já destinou US$ 266 milhões ao longo de sete anos para construir infraestrutura de lançamento.
Enquanto a China lidera na Ásia com empresas como Galactic Energy e LandSpace, e o Japão corre com seu foguete H3, a Coreia do Sul aposta que a abordagem enxuta e focada no mercado da Unastella pode ser o diferencial. A empresa ainda não gera receita, mas os investidores estão apostando que esse pequeno foguete elétrico pode, sim, chegar mais longe.
O futuro do espaço pode não ser apenas dos gigantes. Às vezes, a chave para quebrar um monopólio está em um motor mais simples, uma equipe enxuta e uma visão clara: chegar ao mercado rápido. A Unastella já provou que sabe lançar um foguete. Agora, falta provar que sabe construir um negócio.
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