O verdadeiro motivo pelo qual micro influenciadores do TikTok estão faturando muito mais que os famosos
Dados inéditos revelam: criadores com até 50 mil seguidores tiveram alta de 125% nos ganhos, enquanto os grandes nomes da plataforma viram seus cachês despencarem
Você já reparou que, de repente, aqueles perfis com poucos milhares de seguidores estão aparecendo em cada vez mais propagandas? Pois é, não é impressão sua. O mercado de influência no TikTok virou de cabeça para baixo, e os pequenos estão, finalmente, levando a melhor.
O boom que ninguém esperava
Dados exclusivos da plataforma de marketing Upfluence, analisando mais de 5 mil acordos, mostram um fenômeno impressionante: entre janeiro e março deste ano, os micro criadores — aqueles com entre 15 mil e 50 mil seguidores — aumentaram seus cachês médios em 125% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Enquanto isso, o que aconteceu com os "grandões"? O cenário foi bem diferente. Os criadores "macro" (150 mil a 500 mil seguidores) viram seus ganhos despencarem 29%. Já os "mega" (acima de 500 mil) amargaram uma queda de 18%.
Por que as marcas estão trocando os famosos pelos anônimos?
De acordo com Vivien Garnès, CEO da Upfluence, o motivo é simples: as marcas finalmente entenderam como funciona o algoritmo do TikTok. "Antes, o TikTok era a novidade. Quando você é novo em uma plataforma, tende a colocar dinheiro nos criadores mais visíveis", explicou ele. "Agora, elas perceberam que um vídeo de um criador desconhecido pode viralizar tanto quanto o de um famoso."
E não é só teoria. A Lowe's, gigante do varejo americano, já tem uma rede com 27 mil criadores, a maioria com menos de 50 mil seguidores. A Duolingo, do famoso corujinha verde, está construindo seu "exército de criadores" com embaixadores pagos que criam conteúdo em contas secundárias.
O dinheiro está na conversão, não nos números
Lily Comba, CEO da agência Superbloom, aponta um fator crucial: o TikTok Shop. Grandes marcas como Ulta Beauty, Ralph Lauren e Samsung abriram lojas dentro do app. "As marcas estão priorizando micro influenciadores por causa do maior engajamento e conversão", disse ela.
Os números confirmam: uma pesquisa prevê que 51% dos compradores sociais dos EUA farão compras no TikTok este ano, superando Instagram (47,2%) e Pinterest (20%).
O segredo está na taxa de engajamento
Asti Wagner, CEO da Invyted, explicou o pulo do gato: a taxa de engajamento é um indicador muito mais forte de que um vídeo vai gerar vendas do que o número de seguidores. "Criadores menores geralmente têm comunidades mais fiéis e engajadas."
Jake Kitchiner, cofundador do ChannelCrawler, completou: "Depois que um criador menor faz alguns acordos pagos, ele ganha confiança para precificar melhor seu trabalho." É natural que, com a experiência e a demanda, os preços subam.
O lado B dessa estratégia
Mas nem tudo são flores. Imogen Coles, head de influência da Ogilvy, alerta para o custo operacional: "Você tem mais contratos para gerenciar, mais curadoria para fazer, mais revisões de conteúdo." Gerenciar um exército de pequenos criadores dá mais trabalho do que lidar com poucos grandes nomes.
Ainda assim, a conta parece fechar. Com o alcance orgânico cada vez mais difícil até para perfis grandes, as marcas precisam pagar para impulsionar os posts. E, nesse cenário, ter mais conteúdos de qualidade de vários criadores diferentes se torna um trunfo.
O recado é claro: no TikTok de hoje, tamanho não é documento. O poder está nas mãos de quem entrega engajamento real, e os micro influenciadores estão provando que, muitas vezes, menos é mais — e muito mais lucrativo.
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