Você já imaginou como seria se a maior empresa de entretenimento do mundo, em meio a um turbilhão de crises, conseguisse surpreender a todos com números que desafiam as expectativas? Pois foi exatamente isso que aconteceu com a Disney no comando de Josh D'Amaro.
Em seu primeiro relatório de resultados como CEO, a gigante do Mickey não apenas superou as previsões dos analistas, como também entregou um crescimento de receita que deixou Wall Street de queixo caído. Mas como ele conseguiu isso em meio a demissões em massa, brigas com a Casa Branca e até o cancelamento de um acordo bilionário com a OpenAI?
A resposta está em uma estratégia de três pilares que D'Amaro revelou em uma carta aos acionistas — e que pode mudar para sempre a forma como você consume entretenimento.
O Número que Fez as Ações Dispararem
Na manhã desta quarta-feira, a Disney anunciou que sua receita cresceu 7%, atingindo US$ 25,2 bilhões no trimestre encerrado em 28 de março. O número superou a estimativa de US$ 24,87 bilhões que os analistas do Bloomberg esperavam.
Mas não foi só isso. O lucro por ação também subiu 8%, para US$ 1,57 — bem acima do consenso de US$ 1,51. O mercado reagiu na hora: as ações saltaram cerca de 4% no pré-mercado.
"Estamos executando alinhados a uma estratégia de longo prazo construída sobre três pilares", escreveu D'Amaro em sua carta aos acionistas. E é aqui que a história fica interessante.
O Plano Secreto para Dominar o Streaming (de Novo)
O primeiro pilar é o streaming. E os números provam que a aposta está funcionando. A receita da divisão de entretenimento cresceu 10%, para US$ 11,72 bilhões, impulsionada por um aumento de 14% nas assinaturas e taxas de afiliados.
"Estamos fortalecendo o streaming através de investimentos contínuos na narrativa criativa que nos define e na inovação de produtos e tecnologia", explicou o CEO.
Enquanto isso, a divisão de experiências — que inclui parques, cruzeiros e produtos — que D'Amaro comandava antes de assumir o posto máximo, cresceu 7% e também superou as expectativas, chegando a cerca de US$ 9,4 bilhões.
Já o segmento esportivo, ancorado pela ESPN e seu aplicativo reformulado, viu a receita subir 2%, ficando ligeiramente acima da estimativa de US$ 4,59 bilhões.
O Lado Sombrio do Sucesso: Demissões e Brigas Políticas
Mas nem tudo são flores no Mundo Mágico. Menos de um mês após D'Amaro assumir o cargo, a Disney anunciou uma grande rodada de demissões. A reestruturação de meados de abril atingiu especialmente as equipes de marketing.
Os funcionários demitidos receberam indenizações baseadas em seu nível e tempo de casa, segundo apurou o Business Insider. E como se não bastasse, a Casa do Mickey está enfrentando o FCC (a agência reguladora de comunicações dos EUA), que fez um pedido incomum de renovação antecipada das licenças de transmissão da ABC.
O motivo? Uma piada do apresentador Jimmy Kimmel sobre Melania Trump que irritou profundamente a primeira-dama e o presidente.
Outra bola curva veio quando a OpenAI cancelou seu acordo com a Disney, que colocaria vídeos gerados por inteligência artificial no Disney+ e daria aos funcionários acesso à versão empresarial do ChatGPT. Mesmo assim, a Disney acabou colocando clipes verticais curtos em seu principal serviço de streaming — assim como já fazem rivais como Paramount+, Peacock e Netflix.
E na primeira semana de D'Amaro como CEO, a empresa engavetou a estreia de um de seus maiores programas, "The Secret Lives of Mormon Wives", após uma polêmica envolvendo a estrela Taylor Frankie Paul.
A Revolução Silenciosa da IA que Pode Mudar Tudo
Enquanto lida com crises externas, a Disney está apostando pesado em inteligência artificial internamente. A empresa criou um "Painel de Adoção de IA", e alguns funcionários já estão usando chatbots dezenas de milhares de vezes por mês.
Mais impressionante ainda: funcionários que não usam IA têm recebido mensagens de seus superiores perguntando por quê. A tecnologia deve ser uma parte fundamental das "tecnologias avançadas" que D'Amaro disse que podem ajudar a impulsionar a "narrativa e aumentar a monetização e os retornos".
Dentro do streaming, D'Amaro afirmou que a Disney está investindo em conteúdo, tecnologia e marketing, e que a empresa tem "um pipeline de produtos robusto para aumentar o engajamento e a frequência de uso".
A Disney também reformulou suas equipes de comércio eletrônico e dados de streaming após a saída de Ajay Arora, ex-vice-presidente sênior de gerenciamento de produtos e engenharia. Outra mudança recente foi a decisão de cortar a compensação baseada em ações para alguns funcionários de tecnologia.
No fim das contas, o que D'Amaro está mostrando é que, mesmo em meio ao caos, a Disney ainda sabe como contar uma história — e dessa vez, a história é sobre como transformar crise em lucro. A pergunta que fica é: será que ele vai conseguir manter esse ritmo nos próximos capítulos?