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ONU condena captura de Maduro e classifica operação dos EUA como violação do direito internacional
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ONU condena captura de Maduro e classifica operação dos EUA como violação do direito internacional

Organização afirma que ação militar em Caracas ameaça integridade territorial e independência política da Venezuela.

Redação
Redação

6 de janeiro de 2026 ·
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A Organização das Nações Unidas (ONU) condenou formalmente a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e classificou a operação militar conduzida pelos Estados Unidos em Caracas como uma violação ao princípio fundamental do direito internacional. O posicionamento foi divulgado três dias após a ação, ocorrida na madrugada do último sábado (3), que resultou na prisão de Maduro e de sua esposa, Cília Flores.

A porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU, Ravina Shamdasani, enfatizou que nenhum Estado deve ameaçar ou usar a força contra "a integridade territorial ou independência política de qualquer Estado". A declaração oficial da organização reforça a gravidade com que a comunidade internacional tem visto o episódio.

Críticas no Conselho de Segurança

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Durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU na última segunda-feira (5), as críticas à operação norte-americana se intensificaram. O embaixador da Rússia na organização, Vasily Nebenzya, foi um dos mais contundentes, chamando o presidente dos EUA, Donald Trump, de "cínico e hipócrita". Nebenzya também alegou que a intenção da Casa Branca seria dar início a uma "operação criminosa para tomar os recursos energéticos" da Venezuela.

O embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, também se manifestou, condenando a intervenção militar. Em seu discurso, Danese se referiu à ação como uma "violação grave do Direito Internacional e da Carta da ONU". Ele afirmou: "O Brasil rejeita categórica e firmemente a intervenção armada em território venezuelano, uma flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional".

Detalhes da Operação e Acusações

A captura de Nicolás Maduro e Cília Flores foi resultado de uma operação militar ordenada pelo presidente Donald Trump. A ação envolveu helicópteros, ataques aéreos contra defesas venezuelanas e tropas especiais que retiraram o casal à força de Caracas. Eles foram transportados para Nova York, onde passaram por audiência inicial em tribunal federal na segunda-feira (5).

Maduro e Flores enfrentam acusações federais nos Estados Unidos por crimes como narcoterrorismo, conspiração para tráfico de cocaína, posse de metralhadoras e explosivos. Promotores americanos os descrevem como líderes de um cartel ligado a grupos terroristas que enviaram toneladas de drogas ao país. O julgamento está previsto para ocorrer no Distrito Sul de Nova York.

Contexto e Repercussões

A condenação da ONU ocorre em um momento de alta tensão geopolítica e coloca os Estados Unidos em rota de colisão com princípios basilares da ordem internacional pós-Segunda Guerra Mundial. A Carta das Nações Unidas, fundada em 1945, proíbe expressamente o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, exceto em casos de legítima defesa ou com autorização do Conselho de Segurança.

Analistas apontam que a reação contundente de potências como Rússia e China, além do posicionamento de países como o Brasil, indica um possível isolamento diplomático dos EUA no caso. Os próximos passos incluem o monitoramento do julgamento de Maduro nos Estados Unidos e a pressão internacional por uma solução que respeite a soberania venezuelana, enquanto a crise humanitária e política dentro da Venezuela permanece sem uma resolução clara.

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