Oscar Filho relata primeiro Natal sem o pai e reflexões sobre luto e despedida
Humorista compartilha diálogo íntimo sobre desejo de morte do pai e processo de aceitação durante doença terminal
O apresentador e humorista Oscar Filho, 47, vive seu primeiro Natal sem o pai, José Oscar Filho, que morreu há 24 dias após uma série de internações hospitalares ao longo de 2025. Em texto publicado no Portal iG, o artista detalha os últimos momentos da relação, incluindo um diálogo franco sobre o desejo de morte expresso pelo pai e o processo de aprendizado para aceitar a decisão.
O último Natal em família, celebrado em 24 de dezembro de 2024 na cidade natal da família, Atibaia (SP), foi marcado por um momento de profunda tristeza do pai. "Num momento depois de um certo silêncio, ele disse: 'Tô com saudades do meu pai'", relata Oscar Filho. A declaração, referindo-se ao avô do humorista que morreu em 1997, foi interpretada como um sinal de cansaço.
Do diagnóstico à aceitação
Dezessete dias após aquele Natal, o pai de Oscar Filho deu entrada na UTI pela primeira vez de um total de nove internações ao longo de 2025. Durante o ano, ele expressou várias vezes o desejo de morrer. "Acho que eu quero morrer, Junior. Já tá chegando na minha hora", disse em um jantar, conforme o relato.
O humorista conta que, inicialmente, reagia tentando confortar e desviar o assunto, mas percebeu a tempo que essa postura "era mais sobre mim do que sobre ele". Em uma conversa decisiva, ele optou por acolher o sentimento do pai. "Se você está em paz e tranquilo com essa decisão, isso é o mais importante. Não adianta, também, ficar vivendo por viver, né?", respondeu Oscar.
O papel do cuidado no último ano
O artista destaca que 2025 foi o primeiro ano em que o pai, tradicional "arrimo de família", permitiu-se ser cuidado por outras pessoas. "As enfermeiras, os médicos, o pessoal da casa de repouso, os amigos, minhas primas, minha irmã e eu. Ele se permitiu ser cuidado. Eu tenho certeza de que ele gostou disso", escreve.
Ele avalia que a atenção recebida pode ter feito o pai querer "viver mais um pouco, recebendo tanto amor", após um final de 2024 marcado por tristeza e depressão.
Lições de uma exumação anterior
O texto remonta a 1997, quando Oscar Filho, então com 19 anos, acompanhou a exumação do tio Zezinho para que o avô pudesse ser sepultado na sepultura da família. O tio havia morrido afogado no Rio Atibaia, em circunstância relacionada ao alcoolismo.
Foi durante esse episódio, com a tensão aliviada por uma piada do primo Russo, que o humorista diz ter entendido claramente a função do humor: "aliviar dores já visitadas". Essa experiência, somada à perda do avô, teria sido fundamental para que ele encarasse a morte do pai de forma diferente.
Ironia burocrática no sepultamento
Uma frustração marcou os procedimentos pós-morte. Oscar Filho não conseguiu sepultar o pai na sepultura da família, da qual ele era o responsável e onde repousa o avô. A legislação exige que um corpo permaneça três anos completos em uma sepultura antes da exumação para nova ocupação.
O irmão do pai, tio Gentil, morreu em 15 de dezembro de 2022 – 2 anos, 11 meses e 15 dias antes. "Mais 15 dias, eu poderia ter colocado ele ali", lamenta o humorista, que precisou optar por outro cemitério.
O texto, que o autor classifica como "longo e pede atenção", termina com uma reflexão. "Este é o meu primeiro Natal sem o meu pai. Talvez seja o primeiro dele, em muitos anos, com o pai dele. E sabe o que é melhor? Eles seriam convidados pra festa do aniversariante", escreve, em referência ao Natal. Oscar Filho também publicou uma carta de despedida no mesmo portal.
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